O temporal que atingiu a região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na última sexta-feira (24), provocou rajadas de vento de até 160 km/h e deixou um rastro de danos.
Apesar da intensidade do fenômeno, a ocorrência não foi classificada como tornado. A análise meteorológica apontou que os estragos foram provocados por uma microexplosão atmosférica.
O fenômeno pode produzir ventos tão fortes quanto os observados em alguns tornados e causar danos expressivos em pouco tempo. A diferença está principalmente na forma como o ar se movimenta durante a tempestade.
De acordo com informações divulgadas pelo g1 nesta quarta-feira (29), a meteorologista Josélia Pegorim, da Climatempo, explicou que tornados e microexplosões possuem mecanismos distintos de formação.
Como funciona um tornado
No caso dos tornados, o vento apresenta um movimento de rotação bastante intenso. O ar gira de maneira concentrada e pode formar uma coluna que se estende da nuvem até a superfície.
Em determinadas situações, a circulação pode ser acompanhada por uma nuvem em formato de funil. Quando essa estrutura alcança o solo, os ventos concentrados podem provocar grandes estragos em uma área específica.
A dinâmica do tornado, portanto, está associada principalmente ao movimento giratório e concentrado do ar.
O que é uma microexplosão atmosférica
A microexplosão apresenta uma dinâmica diferente. O fenômeno acontece quando uma corrente de ar desce rapidamente de uma nuvem de tempestade em direção ao solo.
Ao atingir a superfície, o ar se espalha horizontalmente em várias direções, formando um padrão semelhante a uma explosão. É justamente essa característica que explica o nome do fenômeno.
Como a corrente de ar pode atingir velocidades muito elevadas, as rajadas resultantes são capazes de derrubar árvores, danificar estruturas e provocar outros prejuízos em poucos minutos.
No caso registrado em Ribeirão Preto, os ventos chegaram a 160 km/h, velocidade suficiente para causar impactos significativos mesmo sem a formação de um tornado.
Temporal provocou prejuízos na região
A intensidade do evento climático levou a Prefeitura de Ribeirão Preto a adotar medidas para enfrentar os danos registrados após a tempestade.
Na segunda-feira (27), o município solicitou ao Governo Federal o reconhecimento da situação de emergência e também pediu auxílio financeiro para lidar com os prejuízos provocados pelo temporal.
A ocorrência reforça a necessidade de diferenciar os fenômenos atmosféricos que podem produzir ventos extremos. Embora tornados e microexplosões possam apresentar consequências semelhantes, os mecanismos responsáveis pela formação dos ventos são diferentes.
Enquanto o tornado está relacionado à circulação giratória e concentrada do ar, a microexplosão ocorre quando uma corrente de ar desce rapidamente de uma tempestade e se espalha ao alcançar o solo.
A identificação correta do fenômeno é importante para a análise meteorológica e para a compreensão dos riscos associados a tempestades severas, especialmente em episódios capazes de produzir rajadas superiores a 100 km/h.
*Da Agência Fonte Exclusiva
