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São Paulo registra recorde de feminicídios e vive crise inédita de violência contra mulheres

Imagem: reprodução/canvas

São Paulo bate recorde de feminicídio em 2025: 53 casos em dez meses

Capital paulista alcança maior número de casos desde abril de 2015; estado registra 207 feminicídios; especialistas apontam crescimento da violência e maior precisão na classificação dos crimes.

Redação Por Redação
02/12/2025 - 09:14
em Brasil
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São Paulo enfrenta crise de violência letal contra mulheres. A capital paulista atingiu em 2025 o recorde histórico de casos de feminicídio desde que série estatística foi iniciada em abril de 2015. Entre janeiro e outubro, foram registradas 53 ocorrências consumadas, superando todas as marcas anteriores mesmo sem contabilização dos dados de novembro e dezembro ainda não divulgados.

Os números, compilados pela GloboNews através do Portal da Transparência da Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo, revelam trajetória alarmante: 2024 acumulou 51 feminicídios, 2023 registrou 38 e 2022 contabilizou 41. O salto para 53 em apenas dez meses de 2025 representa incremento sem precedentes.

Panorama estadual

O fenômeno transcende limites municipais. Em todo o estado de São Paulo, registraram-se 207 feminicídios entre janeiro e outubro de 2025, comparados aos 191 do mesmo período de 2024. Essa diferença representa acréscimo de 8% em contabilização que ainda carece de dois meses para fechamento anual.

Definição legal e contexto

Tipificação do crime de feminicídio em lei federal data de março de 2015, momento a partir do qual casos passaram a ser contabilizados separadamente de outros homicídios. A legislação caracteriza feminicídio quando assassinato envolve violência doméstica ou familiar, e menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima. Penas variam de 12 a 30 anos de prisão, com classificação como crime hediondo.

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Análise das causas

Silvana Mariano, coordenadora do Laboratório de Estudos de Feminicídios (Lesfem), oferece interpretação multifatorial do crescimento registrado. Segundo especialista, aumento não se restringe exclusivamente à intensificação da misoginia ou ódio às mulheres, mas também decorre da emergência da lei de feminicídio como tipificação autônoma.

“Uma hipótese que tínhamos com a nova lei, tendo o feminicídio como crime autônomo, era de passarmos também por um período em que isso iria contribuir para o crescimento dos números”, afirma Mariano. A pesquisadora aponta dinâmica dual: simultaneamente cresce violência factual contra mulheres, enquanto autoridades aprimoram capacidade de classificar mortes violentas através de lente de perspectiva de gênero.

“Por um lado, cresce mesmo a violência contra a mulher. E, por outro, as autoridades estão ficando mais preparadas para olhar para a morte violenta e intencional de mulheres com essa perspectiva de gênero que leva à classificação como feminicídio”, explica.

Complexidade das soluções

Mariano reafirma natureza transversal da questão de feminicídio, recusando redução a problemática unicamente de segurança pública. “Políticas de educação, saúde, assistência social, renda, trabalho, habitação, todas elas precisam estar integradas nesse processo de prevenir a violência contra a mulher e estancar essa violência para que ela não chegue ao feminicídio”, ressalta.

Essa perspectiva integrada reconhece que prevenção eficaz requer atuação coordenada de múltiplos setores institucionais, não circunscrita a respostas repressivas.

Casos recentes na capital

A realidade estatística concretiza-se em tragedias individuais. Na manhã de sábado (29), Tainara Souza Santos, 31 anos, foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro pela Marginal Tietê após sair de estabelecimento no Parque Novo Mundo, Zona Norte. O condutor do veículo era seu ex-companheiro, Douglas Alves da Silva.

A vítima, mãe de dois filhos de 12 e 7 anos, foi submetida a cirurgias e sofreu amputação bilateral de pernas em consequência da extensão das lesões. Permanece internada em estado grave no Hospital Municipal Vereador José Storopolli.

Horas depois, já nesta segunda-feira (1º), novo episódio de violência extrema: homem disparou pelo menos quatro vezes, utilizando duas armas simultaneamente, contra ex-companheira Evelin de Souza Saraiva, 38 anos, dentro de pastelaria onde trabalha no bairro Jardim Fontalis, Zona Norte. O crime foi registrado por câmera de segurança, testemunhando ato de violência premeditada.

Evelin foi socorrida por helicóptero Águia da Polícia Militar e encaminhada ao Hospital das Clínicas, onde passa por cirurgia e permanece em Unidade de Terapia Intensiva com quadro considerado delicado. Bruno Lopes Barreto, autor do disparo, fugiu em motocicleta e permanecia foragido até última atualização, com pedido de prisão temporária formalizado junto ao Poder Judiciário.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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