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Home Brasil

“Questão do fertilizante é sagrada”, diz Bolsonaro ao defender posição de “equilíbrio” sobre guerra

Redação Por Redação
28/02/2022 - 11:36
em Brasil
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O presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo (27) que a posição do Brasil sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia deve ser de “equilíbrio”, após lembrar que “para nós, a questão do fertilizante é sagrada”.

O Brasil importa mais de 80% dos fertilizantes utilizados na produção agrícola, e tem parceria comercial com os russos, um dos maiores produtores do insumo no mundo.

“Para nós, a questão do fertilizante é sagrada. E a nossa posição, como acertada com o ministro [das Relações Exteriores] Carlos França, bem como o senhor Ronaldo [Costa Filho, embaixador do Brasil na ONU] que nos representa no Conselho, é de equilíbrio. E nós não podemos, ao interferir, se bem que nós queremos a paz, temos uma colônia de ucranianos muito grande no Brasil, mas não podemos trazer consequência para cá”, afirmou o presidente.

Bolsonaro disse ainda que “nós não vamos tomar partido, vamos continuar pela neutralidade e ajudar no que for possível em busca da solução”, afirmou Bolsonaro”.

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Segundo Bolsonaro, é preciso ter “muita responsabilidade, porque temos negócios especiais com a Rússia, o Brasil depende de fertilizantes”.

“Estive há pouco conversando com o presidente [Vladimir] Putin, mais de duas horas de conversa, tratamos de muita coisa. A questão dos fertilizantes uma das mais importantes. Tratamos do nosso comércio e, obviamente, ele falou alguma coisa sobre a Ucrânia, que me reservo, como segredo, de não entrar em detalhes da forma como vocês gostariam.”

A conversa com Putin a que Bolsonaro se refere ocorreu durante a visita do presidente brasileiro a Moscou há dez dias, segundo o Itamaraty.

O chefe do Executivo alegou ainda que a posição brasileira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) é livre e não está atrelada a nenhuma potência mundial.

Na reunião da última sexta-feira (25), o Brasil e outros dez países votaram a favor de uma resolução que condena a invasão do território ucraniano e pede a retirada de tropas. A Rússia foi contra e vetou a medida. Neste domingo, o país também foi a favor de uma reunião emergencial da Assembleia-Geral para tratar sobre o tema.

“O Brasil faz parte do Conselho da ONU, nossa cadeira não é permanente. Há alguns dias foi votada uma resolução, o Brasil teve uma participação ativa nessa resolução, se vocês tomarem conhecimento, não tem nenhuma sanção ou condenação ao presidente Putin. E essa resolução, pelo que tudo indica, será novamente votada na terça ou quarta-feira. Deixo claro que o voto do Brasil não está definido ou atrelado a qualquer potência, nosso voto é livre e vai ser dado nessa direção.”

Em viagem à Rússia, em 16 de fevereiro, Bolsonaro discursou ao lado de Putin. No encontro, disse que prega a paz e respeita “quem age desta maneira” e que era solidário ao país.

Os Estados Unidos criticaram o discurso de Bolsonaro na Rússia, afirmando que “o momento em que o presidente do Brasil se solidarizou com a Rússia, quando as forças russas se preparam para lançar ataques a cidades ucranianas, não poderia ter sido pior”, disse à CNN um porta-voz do Departamento de Estado.

Bolsonaro afirmou, em 24 de fevereiro, que seria sua a decisão sobre o posicionamento do Brasil frente à guerra na Ucrânia. “Quem fala pelo país é o presidente e o presidente se chama Jair Messias Bolsonaro. Quem tem dúvida disso basta procurar o Artigo 84 [da Constituição Federal]. Quem está falando isso está falando sobre o que não lhe compete”, disse Bolsonaro em transmissão pelas redes sociais.

A fala aconteceu após o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) declarar que os países do Ocidente devem usar a força em apoio aos ucranianos. “Tem que haver o uso da força. Realmente um apoio à Ucrânia maior do que o que está sendo colocado. Essa é a minha visão”, indicou Mourão.

As informações são da CNN.

Tags: #Fertilizantes#Jair Bolsonaro#Russia#Ucrânia
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