Quem é o ex-estagiário suspeito de usar sistemas do MP para beneficiar o PCC

Ex-estagiário, dados sigilosos e PCC: entenda a investigação do Gaeco

Gaeco investiga suspeita de infiltração no Ministério Público de São Paulo

Imagem | Reprodução/Redes Sociais

Um ex-estagiário do Ministério Público de São Paulo foi preso temporariamente nesta terça-feira (9) durante a Operação Infiltrados, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado.

Gabriel Lira de Jesus é investigado por suspeita de acessar sistemas internos do Ministério Público e utilizar informações sigilosas para beneficiar integrantes do Primeiro Comando da Capital. Segundo a apuração, ele atuava em uma Promotoria Criminal de Campinas quando teria feito consultas em bancos de dados restritos.

A suspeita é que os dados obtidos fossem usados para identificar criminosos com alto poder financeiro. Depois disso, os alvos seriam procurados para pagamento de valores em troca de uma suposta proteção contra investigações.

De acordo com o Ministério Público, há indícios de que o ex-estagiário usava o acesso privilegiado para localizar possíveis vítimas de extorsão. A investigação também aponta que ele não atuaria sozinho e contaria com a colaboração de outros agentes públicos.

Além de Gabriel, foram presos temporariamente o investigador da Polícia Civil Maurício Aparecido de Oliveira e um policial civil aposentado. Os três são investigados por suspeita de participação em um esquema de acesso indevido a informações sensíveis, vazamento de dados e extorsão.

A investigação teve origem no aprofundamento de apurações anteriores, ligadas às operações Pronta Resposta e Off White. Esses procedimentos investigavam, entre outros pontos, um suposto plano do PCC para matar o promotor Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas, além de movimentações financeiras atribuídas à facção.

Durante as apurações, os promotores identificaram uma possível linha de atuação em que integrantes da organização criminosa eram procurados por pessoas que cobravam dinheiro em troca de proteção. Segundo os investigadores, os contatos teriam sido feitos com base em informações que só poderiam ser obtidas por meio de sistemas restritos.

O Gaeco também apura se Gabriel teria buscado aproximação com a Promotoria já com o objetivo de acessar dados estratégicos. Por esse motivo, a operação recebeu o nome de Infiltrados.

Além das três prisões temporárias, foram cumpridos 10 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas e Cardoso, no interior de São Paulo. Celulares, computadores, documentos e equipamentos eletrônicos foram recolhidos e passarão por análise.

As investigações continuam para identificar a extensão do esquema, a eventual participação de outros envolvidos e o destino das informações acessadas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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