A percepção dos brasileiros sobre as causas da pobreza sofreu uma mudança significativa nos últimos anos. É o que revela uma pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada na sexta-feira (3), que aponta crescimento no número de pessoas que associam a condição de pobreza à falta de disposição para trabalhar, ao mesmo tempo em que diminuiu a parcela dos que atribuem o problema à desigualdade de oportunidades.
Segundo o levantamento, 40% dos entrevistados afirmaram que a pobreza está relacionada principalmente à falta de vontade de trabalhar. Em 2022, esse percentual era de 22%, representando um aumento de 18 pontos percentuais.
O índice é o maior registrado desde o início da série histórica da pesquisa, superando o recorde anterior, de 37%, observado em 2014.
Apesar da mudança, a maioria dos brasileiros ainda considera que a pobreza está ligada à escassez de oportunidades para melhorar de vida. Essa percepção, no entanto, caiu de 76% para 58% no mesmo período, configurando uma das alterações mais expressivas nos indicadores de opinião acompanhados pelo instituto.
O estudo também identificou diferenças de percepção entre os diversos segmentos da população. Entre os empresários, 56% apontam a falta de disposição para trabalhar como principal causa da pobreza, o maior percentual entre as categorias profissionais pesquisadas. Já entre os servidores públicos, esse índice é de 28%, o menor registrado.
Na análise por faixa de renda, os entrevistados com rendimento de até dois salários mínimos apresentaram resultados próximos à média nacional. Entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, 63% afirmaram que a pobreza está mais relacionada à falta de oportunidades do que à ausência de disposição para o trabalho.
O levantamento também mostra diferenças entre grupos de eleitores. Entre os entrevistados que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições, 28% atribuíram a pobreza à falta de vontade de trabalhar, enquanto 70% apontaram a desigualdade de oportunidades.
Já entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 52% associaram a pobreza à falta de disposição para o trabalho e 44% à ausência de oportunidades.
A idade dos entrevistados também influenciou as respostas. Entre jovens de 16 a 24 anos, 22% consideram que a pobreza decorre da falta de vontade de trabalhar, enquanto 74% atribuem a situação à escassez de oportunidades.
Entre os participantes com 60 anos ou mais, os percentuais ficaram praticamente equilibrados: 49% apontaram a falta de disposição para o trabalho e 48% destacaram a desigualdade de oportunidades.
A pesquisa foi realizada presencialmente nos dias 17 e 18 de junho de 2026, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais, distribuídos em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
*Da Agência Fonte Exclusiva
