A Polícia Federal (PF), a Receita Federal e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram nesta quinta-feira (28) três operações simultâneas para investigar um esquema bilionário supostamente operado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
Segundo as autoridades, a facção usava fundos de investimentos e empresas financeiras localizadas na avenida Faria Lima, em São Paulo, para lavar e blindar recursos provenientes do tráfico de drogas e do setor de combustíveis.
De acordo com a PF, o esquema movimentou ao menos R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. Foram expedidos 14 mandados de prisão, dos quais seis já foram cumpridos. A Receita Federal estima que só em sonegação de impostos no setor de combustíveis a perda tenha sido de cerca de R$ 8,67 bilhões.
As três operações, batizadas de Carbono Oculto, Quasar e Tank, foram classificadas pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, como a maior ofensiva da história contra o crime organizado no Brasil.
Quatro fases do esquema
- Importação e distribuição de combustíveis – empresas financiadas pela facção importavam combustível, distribuído depois para postos controlados pelo PCC em dez estados. Os estabelecimentos adulteravam combustíveis e sonegavam impostos.
- Lavagem de dinheiro – os postos e outros comércios, como padarias e lojas de conveniência, serviam para esquentar dinheiro do tráfico. Estima-se que cerca de mil postos participaram da rede.
- Uso de fintechs – empresas financeiras, entre elas a BK Bank, recebiam os recursos ilícitos e os misturavam com o dinheiro de outros clientes em “contas bolsão”, dificultando o rastreio.
- Blindagem patrimonial – fundos de investimento localizados na Faria Lima teriam sido usados para proteger o patrimônio da facção. Segundo a Receita, foram identificados 40 fundos ligados ao esquema, que administravam cerca de R$ 30 bilhões. Entre os bens adquiridos estariam 1,6 mil caminhões, um terminal portuário, quatro usinas de álcool, 100 imóveis e uma mansão em Trancoso (BA).
Envolvimento de fundos de investimento
Um dos alvos foi a Reag Investimentos, gestora que administra R$ 299 bilhões em ativos. A empresa, em nota, afirmou colaborar com as investigações e negou participação direta nas atividades ilícitas. A Receita, porém, afirma que administradores de fundos sabiam da ligação com a facção.
Brechas e regulação
A subsecretária da Receita Federal, Andrea Costa Chaves, destacou que o caso expõe falhas no controle das fintechs, que já haviam sido tema de debate na chamada “crise do Pix”. Para ela, a operação demonstra a necessidade de reforçar a fiscalização para evitar que brechas legais sejam exploradas pelo crime organizado.
Apesar de o foco recair sobre endereços na Faria Lima, Chaves frisou que a maioria dos fundos brasileiros é legítima, mas que a investigação revelou um nível inédito de infiltração do PCC na economia real e no sistema financeiro.
Da Agência Fonte Exclusiva.
