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rejeição de lula

(Reuters)

O que se sabe sobre novo procedimento ao qual Lula será submetido

Presidente permanece sob cuidados intensivos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP).

Redação Por Redação
11/12/2024 - 23:26
em Brasil
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai passar por um novo procedimento médico na quinta-feira (12/12), para reduzir o fluxo de sangue para a meninge (capa que envolve o cérebro).

Segundo boletim médico do Hospital Sírio-Libanês, o presidente “fará complementação de cirurgia com procedimento endovascular (embolização de artéria meníngea média)”.

O procedimento busca evitar novos sangramentos, como o que ocasionou a hemorragia intracraniana detectada na segunda-feira (9/12), após Lula se queixar de fortes dores de cabeça.

Por causa disso, ele foi submetido a uma cirurgia de emergência para drenagem do hematoma.

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Segundo os médicos, esse sangramento intracraniano é uma sequela comum da queda que o presidente sofreu em outubro, em sua residência.

O boletim médico divulgado nesta quarta-feira (11/12) também informa que Lula permanece sob cuidados intensivos no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo (SP).

“Passou o dia bem, sem intercorrências, realizou fisioterapia, caminhou e recebeu visitas de familiares”, diz ainda o informe do hospital.

Na tarde desta quarta, o médico de Lula, Roberto Kalil, afirmou a jornalistas que o procedimento desta quinta-feira tem “baixo risco” e é “relativamente simples”.

A embolização deve acontecer por volta de 7h da manhã. Às 10h da manhã, está prevista uma entrevista coletiva sobre o procedimento e o estado de saúde do presidente.

“Esse procedimento tem o objetivo de evitar um possível novo sangramento. Embora a chance já fosse pequena, por conta da drenagem, a probabilidade de ocorrer um novo sangramento foi ainda mais reduzida com esse procedimento”, afimrou Kalil.

O médico Wuilker Knoner Campos, presidente da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia, reforça que o novo procedimento é preventivo e tem baixo risco.

“O objetivo desse procedimento é fechar uma artéria que nutre um pedaço da capa do cérebro, chamada artéria meníngea média. Fechando essa artéria, diminui o risco de no futuro ocorrer um novo sangramento como o que ele teve”, disse à BBC News Brasil.

O procedimento, explicou ainda, não interrompe totalmente o fluxo sanguíneo para a região, já que outras artérias vão continuar funcionando. O bloqueio da artéria meníngea média é feito por meio de um cateterismo.

“É feita uma pulsão na virilha, na artéria femoral, e, através de um cateter, se sobe até a artéria da carótida do pescoço, e vai direcionado para essa artéria que fica mais externa, na capa [do cérebro]. Então, por dentro desse cateter é possível jogar uma cola que vai entupir essa artéria”, detalhou.

Após a primeira intervenção, a equipe médica disse que Lula deixou a sala de cirurgia sem “nenhum comprometimento no cérebro” e estava “lúcido, falando e se alimentando”.

Entretanto, Lula só deve receber alta e voltar a Brasília no início da próxima semana.

“O presidente está tranquilo, [precisa] repousar, nada de trabalho por enquanto”, disse o médico Roberto Kalil na terça-feira (10/12).

O que é hemorragia intracraniana

Como o próprio nome indica, a hemorragia intracraniana é marcada por um sangramento que ocorre na parte de dentro do crânio.

“Trata-se de um sangramento dentro da caixa craniana, o osso da cabeça”, resume a neurologista Sheila Martins, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Isso pode se desenrolar em algumas das estruturas que estão abaixo dos ossos da cabeça, como o cérebro ou as camadas que revestem as estruturas do sistema nervoso — conhecidas como meninges.

Um artigo assinado por especialistas do Centro Médico da Universidade do Nebraska, nos Estados Unidos, dividem esse quadro em quatro subtipos, de acordo com o local em que ele acontece.

Segundo eles, a hemorragia pode ser epidural (entre o crânio e a dura mater, uma das membranas protetoras do sistema nervoso), subdural (abaixo da dura mater), subaracnoide (abaixo da membrana aracnoide) e intraparenquimal (nas próprias estruturas do cérebro).

O caso de Lula foi uma hemorragia subdural.

“O sangramento estava entre o cérebro e a meninge, embaixo de uma membrana chamada dura mater”, detalhou o neurocirurgião Marcos Stavale, que esteve envolvido com o procedimento.

“Esse sangramento comprimia o cérebro e foi removido. O presidente está com as funções neurológicas preservadas”, complementou o especialista.

Nesse caso, o acúmulo de sangue acontece na superfície do cérebro, no espaço que existe entre o órgão e aquelas camadas que protegem o sistema nervoso.

Segundo o texto da Universidade do Nebraska, casos de hemorragia intracraniana exigem “avaliação neurocirúrgica imediata”, algo que aconteceu com o presidente brasileiro.

Já a Clínica Mayo, instituição de referências em pesquisa de saúde dos EUA, destaca que a hemorragia intracriana é marcada “por um acúmulo de sangue no crânio” e isso pode gerar uma espécie de pressão no cérebro.

“As causas mais comuns são rompimentos de vasos sanguíneos, mas o quadro também pode ser causado por pancadas na cabeça após quedas ou acidentes automobilísticos”, informa o texto.

Mas como um acidente ocorrido com Lula em outubro pode ter causado um efeito só agora, em dezembro?

Martins explica que uma batida na cabeça, como a sofrida pelo presidente há dois meses, pode romper pequenas veias, responsáveis por retirar o sangue pobre em nutrientes e oxigênio do cérebro e levá-lo em direção aos pulmões e ao coração.

“Muitas vezes, após uma batida na cabeça, o tratamento é conservador e envolve apenas observar o paciente”, diz a médica, que também é chefe do Serviço de Neurologia e Neurocirurgia do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre.

“Mas esses pequenos vasinhos rompidos podem ficar porejando sangue ali, que aos poucos se acumula e forma um hematoma”, responde a especialista.

O neurologista Rogério Tuma, do Sírio-Libanês, confirmou que foi isso o que aconteceu Lula.

O hematoma se desenvolveu não no local da pancada, na parte de trás da cabeça, mas no lado esquerdo. Isso porque, quando acontece o choque, o cérebro “chacoalha” dentro da caixa craniana — e a lesão pode se desenvolver em outra área.

“O presidente já tinha sorvido um primeiro sangramento, mas teve um segundo. E isso provavelmente está relacionado à queda que ele sofreu”, disse o médico.

Esses eventos, claro, não acontecem com todo mundo que passou por uma situação parecida — em alguns indivíduos, o hematoma inicial desaparece naturalmente; em outros, ele cresce e passa a incomodar.

O problema é que, aos poucos, esse sangue acumulado começa a pressionar o cérebro.

“A depender de onde a hemorragia ocorre, o paciente pode apresentar dificuldade para falar, dormência e até entrar em coma”, diz Martins.

A neurologista destaca como quadros como esse são comuns após pancadas na cabeça.

“É algo muito frequente em acidentes de trânsito. Também trata-se de uma das lesões mais corriqueiras nos acidentes domésticos”, aponta ela.

“Muitas vezes, o paciente nem vai ao hospital após a batida. Ele só busca um médico meses depois, porque nota que ficou mais esquecido, apresenta fraqueza num lado do corpo ou dor de cabeça.”

“Muitas vezes, a pessoa nem se lembra que chocou a cabeça. E olha que nem precisa ser um trauma importante para ver isso acontecer: às vezes, até uma batida mais leve gera uma hemorragia intracraniana”, destaca ela.

Da Agência Fonte Exclusiva, com informações da BBC News.

Tags: #Cirurgia de Lula
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