A primeira edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) trouxe um retrato amplo da qualidade dos cursos de medicina no Brasil e revelou que a maioria das graduações avaliadas alcançou desempenho considerado adequado.
Os dados, divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC), indicam que mais de dois terços dos cursos analisados obtiveram notas entre 3 e 5, faixa classificada como satisfatória pelo exame.
Ao todo, 351 cursos de medicina, distribuídos por todas as regiões do país, participaram da avaliação realizada em 2025. Desses, 107 apresentaram desempenho abaixo do esperado, enquanto apenas uma graduação não recebeu conceito por contar com um número insuficiente de formandos para a análise estatística.
O resultado reforça a desigualdade de desempenho entre os diferentes tipos de instituições de ensino superior.
As melhores médias foram registradas entre estudantes de universidades públicas estaduais, que atingiram 86% de proficiência. Em seguida, aparecem os alunos das instituições federais, com média de 83%, consolidando o bom desempenho do ensino público superior na área médica.
Já entre as instituições privadas sem fins lucrativos, o índice de aproveitamento foi de 70%, percentual também considerado satisfatório.
Em contraste, os cursos oferecidos por instituições privadas com fins lucrativos apresentaram desempenho inferior, com média de 57%. Situação ainda mais preocupante foi observada nas instituições mantidas por redes municipais, que alcançaram apenas 49% de proficiência, resultado classificado como insuficiente pelos critérios do Enamed.
Diante desse cenário, o MEC anunciou que 99 cursos regulados pelo governo federal, cujo desempenho ficou abaixo de 60%, serão submetidos a medidas cautelares aplicadas de forma gradual.
As sanções previstas incluem desde a proibição de ampliar o número de vagas e a redução da oferta existente até a suspensão do acesso ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) e, em casos mais graves, a interrupção do ingresso de novos estudantes.
Antes da aplicação efetiva das penalidades, no entanto, as instituições com avaliação insatisfatória terão direito à ampla defesa. Após a publicação oficial dos resultados no Diário Oficial da União, os cursos poderão apresentar justificativas e recursos ao Ministério da Educação.
Criado em 2025, o Enamed passa a integrar de forma permanente o sistema de avaliação do ensino médico no Brasil. O exame é obrigatório e será aplicado anualmente, com o objetivo de monitorar a qualidade da formação dos futuros médicos.
Além disso, o resultado poderá ser utilizado como critério de acesso ao programa de residência médica unificado, organizado pelo próprio MEC, ampliando o peso da avaliação na trajetória profissional dos estudantes.
*Da Agência Fonte Exclusiva
