A Justiça de São Paulo aceitou a denúncia e tornou réu o empresário Saul Klein, em um processo que envolve acusações graves relacionadas a organização criminosa, tráfico de pessoas e exploração sexual.
A informação foi divulgada pelo portal g1 na quinta-feira (14). Outros sete investigados também foram incluídos na ação penal.
O caso tramita na 2ª Vara Criminal de Barueri, na região metropolitana de São Paulo, e segue sob segredo de Justiça. Com a decisão, o processo entra na fase em que os acusados passam oficialmente a responder judicialmente pelas denúncias apresentadas pelo Ministério Público.
De acordo com a investigação, o grupo teria estruturado um suposto esquema de recrutamento de mulheres por meio de convites para trabalhos em eventos, ações promocionais e atividades de modelagem.
As apurações indicam que, após esse primeiro contato, as vítimas eram encaminhadas para imóveis ligados ao grupo investigado. Nestes locais, segundo os depoimentos reunidos no processo, ocorreria a exploração. Há relatos de intermediação de terceiros, pagamentos em dinheiro e limitação de circulação das mulheres.
Algumas testemunhas afirmam que acreditavam estar participando de atividades profissionais formais, mas relataram ter encontrado uma realidade diferente da prometida inicialmente.
Em um dos depoimentos citados nos autos, uma das mulheres descreveu o ambiente como controlado. “Não podíamos nem mexer no celular. Tínhamos que sorrir o tempo todo e focar 100% da atenção para ele”, afirmou.
A Justiça enquadra as acusações nos crimes de organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento e exploração sexual de mulheres e adolescentes, além de formas agravadas previstas na legislação penal.
A defesa do empresário, representada pelo advogado Alberto Zacharias Toron, sustenta que parte das acusações mais severas não teria sido acolhida pela decisão, como estupro, cárcere privado e redução à condição análoga à escravidão.
Segundo a defesa, os encontros ocorreriam em contexto de relações consensuais entre adultos, dentro do modelo conhecido como “sugar daddy” e “sugar baby”, em que haveria troca de benefícios econômicos.
Em 2023, Saul Klein já havia sido condenado pela Justiça do Trabalho ao pagamento de R$ 30 milhões por danos morais coletivos.
O processo segue em andamento e ainda não há previsão para julgamento final.
*Da Agência Fonte Exclusiva
