O dólar comercial registrou na quarta-feira sua sétima queda consecutiva, recuando 0,43%, a R$ 5,647, o menor patamar desde 14 de outubro do ano passado. A perspectiva de maior diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, após a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) de manter a taxa no país, beneficiou o real.
O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa brasileira, se manteve no embalo do apetite por risco e subiu 0,73%, aos 132.508 pontos, renovando a máxima do ano.
O Fed manteve o juro básico entre 4,25% e 4,5%. A decisão já era esperada pelo mercado, mas o BC americano apontou, em suas projeções para o ano, um corte de 0,50 ponto percentual, o que ajudou a animar o mercado brasileiro, segundo Paula Zogbi, gerente de research da Nomad.
A perspectiva de juros mais baixos nos EUA e mais altos no Brasil, com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de elevar a Selic a 14,25% ao ano, ajuda o real.
— O cenário torna os investimentos em títulos brasileiros mais atrativos para investidores estrangeiros, devido ao potencial de retornos mais elevados. A entrada de capital estrangeiro tende a fortalecer o real em relação ao dólar — disse Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos.
Efeito dólar nos juros
A recuperação do valor do real frente ao dólar neste início de ano também tem tido a ajuda da entrada dos estrangeiros no mercado de ações brasileiro, explica Marcelo Okura, chefe da corretora do UBS BB. No acumulado de 2025, a entrada de recursos estrangeiros registra superávit de R$ 13,16 bilhões em investimentos no segmento de ações listadas da B3.
— A diferença no nível do dólar no fim do ano passado para o que está agora fez com que o mercado tivesse uma acomodação num nível mais convidativo. Quem fez esse movimento do dólar? Foram estrangeiros. Eles que venderam dólar e fizeram esse movimento da moeda. Quando o dólar cai, a taxa de juros também acaba caindo e isso faz com que a Bolsa fique mais atrativa — avalia Okura.
Para Fernando Breacini, analista de investimentos do AndBank, o ponto de virada da visão do estrangeiro sobre o Brasil foi a venda da participação da Cosan na Vale. Ele explica que a mineradora é muito atraente para o investidor estrangeiro, por ser uma empresa sólida, com receita atrelada a diversos mercados internacionais e que paga bons proventos.
Da Agência Fonte Exclusiva, com informações do Jornal O GLOBO.
