O governo federal elevou o alerta para os impactos climáticos previstos nos próximos meses no Brasil. Em entrevista à Empresa Brasil de Comunicação, o ministro do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, afirmou que os efeitos do fenômeno El Niño deverão ser intensificados pelo aquecimento global, aumentando o risco de secas severas e incêndios florestais em diversas regiões do país.
Segundo o ministro, estudos meteorológicos indicam que a região Sul poderá enfrentar um período de chuvas intensas, com possibilidade elevada de enchentes em estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina.
Enquanto isso, as projeções climáticas apontam cenário oposto em grande parte do restante do território nacional. As regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste devem registrar períodos de estiagem mais longos e intensos durante o segundo semestre do ano.
Os impactos podem atingir diretamente biomas como a Amazônia, a Caatinga, o Cerrado e o Pantanal, aumentando significativamente o risco de queimadas e incêndios florestais de grandes proporções.
Diante do cenário, o Ministério do Meio Ambiente informou que está ampliando as ações preventivas e a estrutura de combate ao fogo. De acordo com Capobianco, o governo prepara a maior mobilização de brigadistas já realizada no país, com mais de 4,6 mil profissionais atuando no enfrentamento aos incêndios.
Além do reforço nas equipes, o governo federal destinou quase R$ 600 milhões para apoiar corpos de bombeiros estaduais e estruturas locais de combate às queimadas, especialmente em regiões consideradas mais vulneráveis.
Parte dos recursos foi direcionada à região amazônica por meio do Fundo Amazônia. Estados localizados no Cerrado e no Pantanal também receberam investimentos para reforçar equipamentos e operações preventivas.
Segundo o ministro, foram distribuídos materiais como retroescavadeiras, abafadores e equipamentos de proteção individual para brigadas locais, incluindo grupos voluntários, comunidades indígenas e quilombolas.
Durante a entrevista, João Paulo Capobianco também fez um apelo para que a população evite o uso de fogo na limpeza de terrenos, prática ainda comum em áreas urbanas e rurais.
O ministro alertou que queimadas utilizadas para eliminar lixo, limpar pastagens ou preparar áreas agrícolas podem sair rapidamente do controle em períodos de seca intensa, favorecendo incêndios de grandes dimensões e dificultando o trabalho das equipes de emergência.
Capobianco destacou ainda a importância da Lei do Manejo Integrado do Fogo, aprovada em 2024, que ampliou as responsabilidades relacionadas à prevenção e ao monitoramento de incêndios florestais.
A legislação prevê maior participação da sociedade, incluindo produtores rurais, que passam a ter obrigação de adotar medidas preventivas, organizar brigadas e manter equipamentos adequados para resposta rápida em casos de queimadas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
