O escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados divulgou nesta segunda-feira (9) informações detalhadas sobre sua atuação junto ao Banco Master entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025.
A nota, assinada por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, é a primeira manifestação formal sobre o contrato, revelado há cerca de três meses.
Segundo o comunicado, a equipe de 15 advogados, coordenada por Viviane e apoiada por três escritórios terceirizados, realizou 94 reuniões de trabalho e elaborou 36 pareceres jurídicos.
As atividades incluíram ações relacionadas a compliance, implementação do código de ética e análise de investigações penais e administrativas envolvendo o banco e seus dirigentes.
O escritório reforçou que “nunca conduziu nenhuma causa para o Banco Master no âmbito do STF”, afastando possíveis suspeitas de conflito de interesse pelo vínculo familiar com o ministro.
Embora o comunicado detalhe as atividades, não há informações sobre os valores cobrados. Estimativas anteriores apontavam que o contrato poderia chegar a R$ 129 milhões em três anos, com pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões.
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação e reportados pelo jornal O Globo indicam que os serviços do escritório não constam em pelo menos três dos quatro órgãos previstos no contrato: Banco Central, Cade e PGFN.
Em fevereiro, a CPI do Crime Organizado convocou Viviane Barci e solicitou a quebra de sigilos bancários do escritório, apontando “fundadas suspeitas” de que o contrato poderia ter sido usado para lavagem de dinheiro.
O relator Alessandro Vieira destacou questionamentos sobre a proporção entre pagamentos e serviços efetivamente prestados.
O caso também envolve o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Antes de sua prisão em novembro de 2025, mensagens atribuídas a ele foram encontradas em seu celular, supostamente enviadas ao ministro Alexandre de Moraes.
Viviane Barci negou ter recebido qualquer comunicação, contestando relatos sobre arquivos organizados no celular do ministro e enfraquecendo versões de eventual contato entre as partes.
A divulgação detalhada das atividades do escritório reforça o debate sobre transparência, compliance e prevenção de conflitos de interesse, enquanto os valores do contrato permanecem sob análise da CPI e de órgãos de fiscalização.
*Da Agência Fonte Exclusiva
