Ondas de calor, períodos prolongados de seca, incêndios e mudanças no padrão das chuvas já fazem parte dos desafios enfrentados pelas redes de ensino brasileiras.
Diante desse cenário, pesquisadores do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, e do Instituto Alana elaboraram uma nota técnica voltada à adaptação das escolas.
O documento apresenta recomendações para que secretarias municipais e estaduais de Educação possam se antecipar aos riscos e reduzir possíveis impactos sobre alunos, professores, funcionários e a própria estrutura das unidades escolares.
Mais de 40 milhões de estudantes podem estar expostos
O tamanho da rede educacional brasileira aumenta a preocupação com os efeitos dos eventos climáticos extremos. Segundo a nota técnica, existem cerca de 150 mil escolas públicas no país, frequentadas por mais de 40 milhões de estudantes potencialmente expostos a situações como calor intenso, estiagens, incêndios e chuvas fora do padrão.
Nas capitais, o levantamento identifica ainda mais de 370 mil crianças matriculadas em escolas situadas em áreas classificadas como de risco.
Para os pesquisadores, a adaptação precisa considerar que os impactos do clima não são iguais em todas as regiões. As condições locais, assim como fatores sociais e ambientais, devem fazer parte do planejamento das redes de ensino.
Educação deve trabalhar em conjunto com órgãos de emergência
Uma das principais orientações é fortalecer a comunicação entre as secretarias de Educação e os órgãos responsáveis pela prevenção e resposta a situações de emergência.
A recomendação inclui uma atuação integrada com Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Saúde, Assistência Social e Meio Ambiente. A ideia é que as escolas não precisem começar a organizar sua resposta somente depois que um evento extremo ocorrer.
Para isso, a nota propõe a criação antecipada de planos de emergência, com protocolos específicos para diferentes tipos de ocorrência. Também é importante manter canais de comunicação eficientes com as unidades escolares e acompanhar os alertas emitidos pelas autoridades.
Estrutura das escolas também precisa acompanhar mudanças
A adaptação não depende apenas de protocolos de emergência. O próprio ambiente escolar pode passar por mudanças para oferecer melhores condições durante períodos de calor intenso ou chuvas mais fortes.
Entre as medidas indicadas estão a melhoria da circulação de ar dentro das salas e a criação ou ampliação de áreas verdes. Essas soluções podem ajudar a reduzir a temperatura dos espaços e também contribuir para a absorção da água da chuva.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que não existe uma solução única para todas as escolas. Cada projeto precisa levar em conta o clima da região, as características da comunidade, questões sociais e culturais e as necessidades de acessibilidade.
Mudanças climáticas exigem planejamento antecipado
As projeções climáticas reforçam a necessidade de preparação das redes de ensino. Segundo os dados citados no documento, havia mais de 90% de probabilidade de ocorrência de um evento de El Niño classificado como muito forte entre setembro e novembro.
As previsões também indicam temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro. Mesmo em um cenário de calor predominante, a passagem de massas de ar frio pode provocar quedas significativas de temperatura, especialmente durante o mês de setembro.
Diante dessas variações, a recomendação dos pesquisadores é que as redes de ensino trabalhem com diferentes cenários e mantenham protocolos que possam ser acionados conforme os riscos identificados.
Preparação pode reduzir impactos sobre estudantes
A proposta apresentada pelo Cemaden e pelo Instituto Alana é transformar a adaptação climática em parte do planejamento permanente das escolas.
Além de acompanhar previsões e alertas, as redes podem avaliar a estrutura das unidades, definir responsabilidades em situações de emergência e manter a comunidade escolar informada sobre os procedimentos necessários.
A preparação antecipada pode ajudar a reduzir os riscos para estudantes e profissionais e diminuir os prejuízos causados por eventos extremos ao funcionamento das escolas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
