A experiência brasileira na área de pesquisa florestal acaba de ganhar espaço em uma iniciativa inédita da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A Embrapa Florestas foi selecionada para atuar como Centro de Referência (CR) em Florestas Plantadas, função que permitirá à unidade brasileira colaborar diretamente com projetos e ações da organização em diferentes países.
A escolha foi anunciada na sexta-feira (2), durante a 10ª Semana Mundial das Florestas e a 28ª Sessão do Comitê de Florestas da FAO, em Roma. A nomeação tem caráter histórico porque é a primeira vez que a entidade cria um Centro de Referência dedicado especificamente às florestas plantadas.
A partir da nova função, a Embrapa Florestas poderá oferecer conhecimento científico e técnico, participar de capacitações, apoiar a transferência de tecnologias e prestar assessoria à FAO e aos países que integram a organização.
Pesquisa brasileira ganha espaço internacional
Ligada à Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a unidade possui quase 50 anos de atuação em estudos voltados ao setor florestal.
A nova parceria deverá envolver pesquisas e projetos destinados ao desenvolvimento de florestas plantadas mais produtivas e resistentes às mudanças e aos diferentes desafios ambientais, além da busca por sistemas com menor emissão de carbono.
Outro foco será a integração entre florestas e atividades agropecuárias, especialmente em modelos de produção que possam conciliar produtividade e sustentabilidade.
A participação da Embrapa Florestas será definida de acordo com as demandas apresentadas pela FAO e pelos países-membros. A realização das iniciativas também dependerá da obtenção conjunta de recursos para financiar os projetos.
Áreas de pesquisa são variadas
Entre os campos que poderão receber apoio estão a silvicultura, o manejo sustentável de florestas e os sistemas integrados de produção.
A atuação também poderá envolver melhoramento genético de espécies, controle biológico de pragas, sanidade florestal e desenvolvimento de técnicas para aumentar a produtividade das plantações.
As pesquisas relacionadas ao carbono também estão entre as prioridades. Nesse campo, entram estudos sobre métricas de carbono, redução das emissões de gases de efeito estufa, bioeconomia florestal e química verde.
Florestas plantadas ocupam 304 milhões de hectares
A dimensão do setor ajuda a explicar a importância da iniciativa. Segundo dados divulgados pela FAO em 2025, as florestas plantadas ocupam aproximadamente 304 milhões de hectares em todo o mundo.
Desse total, cerca de 157 milhões de hectares correspondem a plantações florestais intensivas, destinadas principalmente à produção.
A China possui a maior área de florestas plantadas do planeta. Estados Unidos, Rússia, Canadá, Índia, Brasil, Japão e Suécia aparecem na sequência entre os países com maiores extensões.
No Brasil, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima que existam aproximadamente 10,4 milhões de hectares de florestas plantadas.
O eucalipto e o pinus são algumas das espécies mais cultivadas no país. A produção brasileira também inclui araucária, acácia, seringueira, erva-mate, teca, paricá, mogno-africano, castanha-do-brasil e cedro-australiano.
FAO aposta na cooperação científica
Para Zhimin Wu, diretor-geral adjunto da FAO e responsável pela Divisão Florestal da organização, a criação dos Centros de Referência representa uma forma de aproximar o conhecimento científico das necessidades enfrentadas pelos países.
A proposta é facilitar o intercâmbio de informações, o desenvolvimento de tecnologias e a transformação de pesquisas em soluções que possam ser aplicadas em diferentes realidades.
A FAO avalia que a cooperação com instituições especializadas pode contribuir para enfrentar desafios relacionados à conservação, produtividade, sustentabilidade e adaptação das florestas às mudanças ambientais.
Embrapa considera escolha um reconhecimento
A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, afirmou que a escolha da unidade brasileira representa um reconhecimento à trajetória construída pelo país na área de pesquisa florestal.
Segundo ela, a nova posição amplia as oportunidades de participação brasileira em programas internacionais, incluindo capacitações, intercâmbio de pesquisadores e desenvolvimento de projetos em conjunto com a FAO.
A parceria também deverá permitir que o conhecimento acumulado pela Embrapa Florestas ao longo de décadas seja compartilhado com outros países e, ao mesmo tempo, fortalecer redes de pesquisa e cooperação dentro do próprio Brasil.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
