Certidões de óbito passarão a identificar mortes em ações policiais

Nova regra aprovada pelo CNJ determina que os documentos informem quando o falecimento ocorreu durante uma intervenção de órgãos de segurança pública, além de registrar a causa médica.

CNJ aprova regra que determina a identificação de mortes durante intervenções policiais nas certidões de óbito, além da causa médica.

Imagem: Reprodução/ Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

As certidões de óbito no Brasil terão que informar quando uma morte ocorrer durante uma intervenção policial ou outra ação de órgãos de segurança pública. A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pretende ampliar a transparência dos registros oficiais, além de facilitar o acesso de familiares a direitos e possíveis benefícios.

Até agora, os documentos apresentavam a causa médica do falecimento, mas não necessariamente indicavam as circunstâncias em que a morte aconteceu. Com a nova determinação, essa informação também deverá aparecer expressamente na certidão.

Segundo o CNJ, a medida permitirá identificar com mais precisão os casos de mortes decorrentes de intervenções policiais. A expectativa é que os dados contribuam para melhorar as estatísticas oficiais e o acompanhamento desse tipo de ocorrência.

Proposta foi apresentada por Edson Fachin

A resolução foi proposta pelo ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça. Para o magistrado, incluir as circunstâncias do falecimento nos registros representa uma forma de reconhecer a dignidade das vítimas e assegurar que seus familiares tenham acesso a informações mais completas.

Ao defender a iniciativa, Fachin observou que o modelo anterior se concentrava na identificação da causa médica da morte, sem necessariamente registrar o contexto da ocorrência.

O ministro também destacou os impactos da violência policial sobre grupos socialmente vulneráveis, especialmente jovens negros e moradores de regiões periféricas.

A proposta foi aprovada durante sessão virtual do CNJ, encerrada em 29 de outubro.

Mudança pode facilitar acesso a direitos e benefícios

Além de ampliar a transparência documental, a nova regra poderá ajudar familiares a comprovar as circunstâncias da morte em situações que envolvam pedidos de indenização ou acesso a benefícios relacionados ao falecimento.

A inclusão da informação também deve contribuir para a elaboração de levantamentos estatísticos mais precisos sobre mortes ocorridas durante operações e intervenções de forças de segurança.

Com a alteração, a certidão passará a reunir dois tipos de informação: a causa médica do falecimento e o contexto relacionado à ação policial. A medida busca tornar os registros mais completos e permitir um acompanhamento institucional mais detalhado desses casos.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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