O Brasil se posiciona na vanguarda das discussões globais sobre transição energética ao defender a implementação do Mapa do Caminho, um roteiro estratégico para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e cortar a emissão de gases de efeito estufa. A proposta, apresentada pelo país durante a COP30, recebeu apoio de mais de 80 nações, mas não foi incluída no documento final por não alcançar unanimidade entre os participantes. Ainda assim, autoridades e especialistas brasileiros afirmam que o plano permanece central na agenda ambiental do país.
Nesta segunda-feira (24), o professor Aldo Fornazieri, diretor acadêmico da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), defendeu que o Brasil deve ser o primeiro a implementar o Mapa do Caminho. Segundo ele, o lançamento da iniciativa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva cria uma responsabilidade nacional de colocar o plano em prática, independentemente do consenso da ONU.
“Não é porque a ONU não abraçou a ideia de forma decisiva que o governo deve se eximir. Se o presidente lançou a proposta, o Brasil tem o dever de construir o Mapa do Caminho”, afirmou Fornazieri durante o evento Pós-COP30 – O Brasil Diante das Transformações Globais, realizado na sede da FESPSP, em São Paulo.
O especialista ressaltou que a liderança brasileira na questão climática exige ação concreta. “Para o Brasil ser líder nesse tema, e ele tem legitimidade para isso, é preciso dar o exemplo e assumir essa responsabilidade”, acrescentou.
A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, reforçou a importância da iniciativa, destacando que, mesmo sem aprovação formal na COP30, o Mapa do Caminho continuará sendo discutido nos próximos meses entre os países participantes. Ela enfatizou que o roteiro representa um esforço global, apoiado por dezenas de nações e pela comunidade científica.
“O Mapa do Caminho não é mais apenas uma proposta do Brasil, do presidente Lula, mas de dezenas de países e milhares de pessoas em todo o mundo, chancelada pela comunidade científica”, afirmou Marina Silva. Segundo a ministra, cada país desenvolverá seu próprio mapa, adaptado às condições econômicas e sociais locais. Enquanto países mais ricos já têm trajetórias de descarbonização estruturadas, nações em desenvolvimento, especialmente aquelas dependentes de petróleo, ainda precisam elaborar estratégias próprias, tornando a iniciativa brasileira ainda mais relevante.
O Mapa do Caminho representa não apenas um compromisso ambiental, mas também uma oportunidade de liderança internacional para o Brasil, que seguirá à frente da presidência da COP até novembro de 2026, com a missão de articular ações concretas na luta contra a crise climática global.
*Da Agência Fonte Exclusiva
