Em 2025, o Brasil registrou 9,4 milhões de crianças de 0 a 5 anos matriculadas em escolas ou creches, segundo dados do módulo Educação da Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados em junho por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C).
O levantamento indica expansão contínua do acesso à educação infantil, especialmente na faixa de 0 a 3 anos, embora ainda persistam desafios estruturais.
De acordo com o estudo, a taxa de atendimento de crianças de 0 a 3 anos chegou a 43,3% em 2025, o maior nível da série histórica iniciada em 2016.
O número equivale a cerca de 4,5 milhões de crianças em creches e representa crescimento consistente ao longo dos últimos anos, com avanço de 11 pontos percentuais desde 2016 e alta de 2,2 pontos em relação a 2024.
Apesar da evolução, o índice ainda não atingiu a meta de 50% prevista pelo Plano Nacional de Educação (PNE), cujo prazo original terminou em 2024 e foi prorrogado até o fim de 2025.
O novo PNE, válido de 2024 a 2034, estabelece objetivo mais ambicioso, com previsão de atendimento de pelo menos 60% das crianças de 3 anos na educação infantil.
Na pré-escola, etapa obrigatória para crianças de 4 e 5 anos, o país alcançou 96,1% de atendimento em 2025, o maior percentual já registrado na série histórica. O dado indica proximidade da universalização dessa fase da educação básica, embora ainda existam cerca de 219 mil crianças fora da escola.
Mesmo com os avanços, especialistas apontam que o principal desafio segue sendo a ampliação da oferta de vagas em creches. Entre os fatores destacados estão o planejamento insuficiente, limitações de financiamento e desigualdades na gestão educacional, que é responsabilidade majoritariamente dos municípios.
O levantamento também evidencia desigualdades sociais e regionais. Entre os 20% mais pobres, 24,2% das crianças de 0 a 3 anos não frequentavam creches por falta de acesso, enquanto entre os 20% mais ricos esse índice é de 6,4%. No recorte regional, estados do Sul apresentam melhores indicadores, como Santa Catarina, com 58,4%, enquanto unidades da Região Norte registram os menores percentuais, como o Amapá, com 9,4%.
Segundo o IBGE, entre as crianças fora da creche, a principal justificativa dos responsáveis é a decisão familiar, seguida pela falta de vagas ou ausência de instituições próximas. No entanto, estudos apontam que parte dessa ausência está relacionada à limitação real de acesso.
Diante desse cenário, o Ministério da Educação implementou o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei), que prevê apoio técnico e financeiro a estados e municípios, com investimentos superiores a R$ 406 milhões entre 2026 e 2027. A iniciativa busca ampliar a oferta de vagas e reduzir desigualdades.
Mesmo com os avanços registrados na última década, o desafio permanece centrado na expansão equilibrada da rede de ensino, com fortalecimento da infraestrutura, formação de profissionais e redução das desigualdades regionais e sociais desde a primeira infância.
*Da Agência Fonte Exclusiva.
