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Dependência em bets ampliou procura pelo SUS. Proibição das plataformas ocorre em meio a dívidas e problemas de saúde mental.

📸Reprodução/imagem institucional/Governo Federal.

Bets começam a sair do ar após perdas bilionárias no país

Apostadores ainda podem sacar saldos enquanto governo inicia encerramento das plataformas autorizadas.

redacao Por redacao
27/09/2026 - 14:26
em Brasil
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A proibição das bets no Brasil começa a mudar um mercado que movimentou bilhões de reais e deixou milhares de pessoas tentando reconstruir a vida depois de perdas financeiras e problemas relacionados à dependência em jogos.

Kaio, nome fictício de um homem de 42 anos, é um desses casos. Depois de anos apostando, ele relata ter perdido casa, carro e emprego. As dívidas também o levaram a se afastar da família.

Atualmente, recebe acompanhamento em um Centro de Atenção Psicossocial (Caps), participa de atividades terapêuticas e segue tratamento médico.

A situação dele ajuda a dimensionar um problema que deixou de ser apenas financeiro e passou a ocupar espaço crescente nos serviços de saúde mental.

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Bets começam a sair do ar

A Medida Provisória nº 1.394, publicada em 25 de setembro, proibiu a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa no país. A medida alcança apostas esportivas e jogos online e também se aplica às autorizações estaduais e do Distrito Federal.

Desde a publicação da MP, as empresas estão impedidas de receber novos aportes. Os apostadores têm até 5 de outubro, às 23h59, para retirar voluntariamente o dinheiro disponível nas contas.

Os sites e aplicativos deverão sair do ar em 6 de outubro. Valores que permanecerem nas plataformas entrarão em um processo de devolução por meio das instituições financeiras entre 9 e 14 de outubro.

A medida provisória tem efeito imediato, mas ainda está em tramitação e depende de análise do Congresso Nacional para continuar valendo.

Famílias perderam R$ 62,5 bilhões

O tamanho do mercado aparece também no bolso dos brasileiros.

As famílias tiveram perda líquida estimada em R$ 62,5 bilhões com bets em 2025. O cálculo considera a diferença entre o dinheiro transferido para as plataformas e os valores devolvidos aos apostadores em prêmios.

No período analisado, as empresas de apostas movimentaram quase R$ 351 bilhões em transações via Pix. As perdas equivaleram a 0,68% da renda disponível bruta das famílias.

Dependência aumenta pressão sobre a saúde

Os efeitos das apostas também chegaram ao SUS.

Nos últimos cinco anos, houve aumento de 140% na procura por atendimento relacionado à dependência de apostas online e jogos de azar, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde.

Um estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde estimou em R$ 30,6 bilhões por ano o impacto financeiro dos danos relacionados às apostas sobre o sistema de saúde. O cálculo inclui despesas associadas a problemas como ansiedade e depressão, além de impactos decorrentes de mortes por suicídio.

Diante da demanda, o SUS ampliou a capacidade de atendimento remoto para até 100 mil consultas mensais destinadas a pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas.

O serviço pode ser acessado pelo Meu SUS Digital e também oferece orientação a familiares. Casos que exigem acompanhamento presencial podem ser encaminhados para unidades da Rede de Atenção Psicossocial.

Publicidade também entrou no centro do debate

Antes da proibição, o governo havia endurecido as regras para a propaganda das plataformas.

Desde julho, anúncios passaram a ter de apresentar alertas sobre os riscos de dependência e perdas financeiras. Também foi proibido divulgar as apostas como investimento, fonte de renda ou solução para problemas financeiros.

Com a nova MP, a publicidade das bets passa a ser proibida. As empresas têm período de transição para retirar materiais que já estavam em circulação.

Fim das plataformas não encerra o problema

A retirada das bets autorizadas do mercado não significa que os efeitos da dependência desapareçam junto com os aplicativos.

Pessoas que desenvolveram transtorno do jogo podem precisar de acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, além de apoio para reorganizar a vida financeira e familiar.

Outro desafio será impedir que apostadores migrem para plataformas clandestinas. A nova estrutura de fiscalização prevista na MP busca atingir sites, meios de pagamento e publicidade ligados às operações ilegais.

Para quem já enfrenta dificuldades, a orientação é procurar ajuda profissional. O atendimento pode começar pela rede básica de saúde, pelos Caps ou pelo serviço remoto disponível no Meu SUS Digital.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #ApostasOnline#Bets#Caps#DependênciaEmJogos#Ludopatia#Saude#SaúdeMental#SUS
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