O padre Júlio Lancellotti, de 76 anos, foi proibido de utilizar redes sociais e teve as transmissões on-line das missas dominicais suspensas por determinação do arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Scherer. A decisão foi comunicada ao sacerdote por meio de uma carta recebida na última quarta-feira (10).
Conhecido pelo trabalho social junto à população em situação de rua, Lancellotti mantinha um perfil ativo no Instagram, com mais de 2,3 milhões de seguidores, que não será mais atualizado. Durante a missa celebrada no domingo (14), o padre informou aos fiéis que aquela seria a última transmissão realizada pela internet.
Em entrevista à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o sacerdote afirmou que a orientação do arcebispo foi para que ele “desse um tempo” das atividades digitais. Segundo Lancellotti, a medida foi apresentada como um período de recolhimento e de proteção.
“Dom Odilo me pediu para dar um tempo. Ele acha que é uma forma de recolhimento e de proteção”, declarou.
A decisão gerou reação entre fiéis que acompanhavam as celebrações de forma remota. Nos comentários da última missa transmitida pelo YouTube, seguidores lamentaram a interrupção das transmissões e manifestaram apoio ao religioso. Muitos destacaram a importância das homilias do padre para a compreensão dos ensinamentos cristãos e para o fortalecimento da fé, especialmente para quem reside fora da capital paulista.
Até o momento, a Arquidiocese de São Paulo não divulgou oficialmente os motivos que levaram à suspensão das atividades digitais do sacerdote. Também não há confirmação sobre uma possível transferência do padre Júlio da Paróquia São Miguel Arcanjo, localizada no bairro da Mooca, onde ele atua há cerca de quatro décadas, embora essa possibilidade tenha sido mencionada nos bastidores.
Padre Júlio Lancellotti é uma das figuras mais conhecidas da Igreja Católica no Brasil, com atuação voltada à defesa de pessoas em situação de vulnerabilidade social. Ao longo dos anos, ele se destacou por ações de acolhimento, distribuição de alimentos, orientação social e denúncias públicas de violações de direitos humanos, muitas vezes enfrentando resistência de autoridades municipais e estaduais.
Apesar da suspensão das redes sociais e das transmissões on-line, o sacerdote segue exercendo normalmente suas funções religiosas presenciais na paróquia. Não há prazo divulgado para o eventual retorno das atividades digitais.
* Da Agência Fonte Exclusiva
