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Anac afirma que registros de manutenção da Voepass não foram confirmados em fiscalizações após acidente que matou 62 pessoas. Cenipa apontou falhas técnicas e operacionais.

Imagem: Divulgação/ Voepass

Anac afirma que Voepass apresentou registros de manutenção não confirmados em aeronaves após queda de avião

Declaração do presidente da agência ocorreu após investigação sobre acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024; Cenipa apontou falhas envolvendo empresa, aeronave, tripulação e fiscalização.

redacao Por redacao
27/07/2026 - 08:42
em Brasil
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Novos detalhes sobre o acidente envolvendo um avião da Voepass, que deixou 62 mortos em agosto de 2024, foram revelados após declarações do presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Álvaro Faierstein. Segundo ele, a companhia aérea apresentou documentos de manutenção que indicavam a realização de reparos em aeronaves, mas parte desses procedimentos não teria sido confirmada durante fiscalizações realizadas pela agência.

A declaração foi feita durante entrevista exibida neste domingo (26) pelo programa Fantástico, da TV Globo. De acordo com Faierstein, equipes de fiscalização encontraram situações em que os registros apontavam troca de componentes ou execução de serviços técnicos, mas, ao verificarem as aeronaves, constataram que os trabalhos informados não haviam sido realizados.

O dirigente afirmou que a Anac foi induzida ao erro durante parte do processo de fiscalização, já que análises técnicas foram feitas com base nas informações fornecidas pela própria empresa. Segundo ele, alguns dados apresentados pela companhia não refletiam as condições reais encontradas nos aviões.

O caso está relacionado ao acidente ocorrido em 9 de agosto de 2024, quando um ATR-72 da Voepass, de matrícula PS-VPB, caiu durante o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP). Todas as pessoas que estavam a bordo morreram na tragédia.

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Após a divulgação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), órgão ligado à Força Aérea Brasileira (FAB), a Voepass afirmou que mantém uma trajetória de mais de três décadas baseada em protocolos de segurança, treinamento e capacitação de suas equipes.

O relatório do Cenipa apontou que o acidente foi resultado de uma combinação de fatores envolvendo a situação da aeronave, procedimentos internos da empresa, atuação da tripulação e processos de supervisão da Anac. Ao todo, foram identificados 19 fatores relacionados ao acidente, sendo 15 considerados contribuintes diretos e quatro classificados como de contribuição indeterminada.

Falhas de manutenção e condições da aeronave

Entre os principais pontos identificados pela investigação está a condição operacional do avião antes do voo. A aeronave iniciou a viagem com o limpador de para-brisa inoperante, situação que, conforme os manuais técnicos, permitiria a operação apenas em determinadas condições meteorológicas, diferentes das registradas no dia do acidente.

O Cenipa também apontou problemas recorrentes no sistema de degelo do avião, equipamento responsável por impedir o acúmulo de gelo nas asas durante o voo. Segundo os investigadores, falhas nesse mecanismo já haviam sido registradas anteriormente, mas não foram devidamente informadas nos documentos operacionais da aeronave.

O órgão classificou esse comportamento como uma “normalização dos desvios”, quando problemas que deveriam gerar correções passam a ser tratados como situações comuns dentro da rotina de operação.

Para avaliar o histórico do avião envolvido no acidente, o Cenipa analisou 1.206 voos realizados pela aeronave entre agosto de 2023 e agosto de 2024. A investigação também examinou mais de 15 mil voos da Voepass realizados entre 2022 e 2024 para identificar padrões relacionados a manutenção e procedimentos internos.

Cultura operacional e fiscalização

O relatório indicou que a empresa apresentava uma cultura operacional marcada por práticas informais, permitindo, segundo os investigadores, flexibilizações em procedimentos de segurança. Algumas falhas deixariam de ser registradas adequadamente, enquanto aeronaves com problemas técnicos continuavam em operação.

A manutenção da frota também foi analisada pelo Cenipa. O documento apontou casos em que componentes retirados de outras aeronaves ou peças com defeitos armazenadas no estoque teriam sido utilizados em processos de manutenção para manter aviões disponíveis para operação.

A atuação da Anac também foi incluída na análise. Segundo o relatório, a agência identificou irregularidades e aplicou medidas contra a empresa, mas os mecanismos de gerenciamento de risco não teriam sido suficientes para evitar a continuidade de operações consideradas abaixo dos padrões mínimos de segurança.

De acordo com informações apresentadas pelos investigadores, foi a primeira vez que ações ou falhas relacionadas ao órgão regulador foram apontadas como fatores contribuintes em um acidente aéreo analisado pelo Cenipa.

Atuação da tripulação durante o voo

A investigação também avaliou as decisões tomadas pelos pilotos durante a ocorrência. O Cenipa apontou que a tripulação não teria seguido procedimentos recomendados diante de uma situação de gelo severo, como alteração de altitude, e não declarou emergência quando houve redução do desempenho da aeronave.

O relatório também identificou conversas sobre assuntos pessoais em momentos considerados críticos do voo, o que teria reduzido a atenção dos tripulantes aos sistemas da aeronave e aos alertas apresentados no cockpit.

Segundo o Cenipa, a elevada carga de trabalho enfrentada pela equipe pode ter contribuído para o fenômeno conhecido como “surdez e cegueira por desatenção”, quando o cérebro deixa de perceber adequadamente determinados estímulos em situações de alta demanda.

Entre os fatores classificados como de contribuição indeterminada estão aspectos relacionados ao treinamento dos pilotos, estado emocional do comandante, possíveis influências externas e funcionamento dos sistemas de alerta da aeronave.

A conclusão da investigação aponta que a queda do avião ocorreu após uma sequência de fatores técnicos, operacionais e administrativos, envolvendo desde procedimentos internos da Voepass até falhas nos processos de fiscalização e controle da segurança da aviação civil brasileira.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #AcidenteAéreo#Aeronaves#ANAC#ATR72#Aviação#AviacaoBrasileira#Brasil#Cascavel#Cenipa#FAB#Guarulhos#Investigação#ManutençãoAeronáutica#Notícias#QuedaDeAvião#SegurançaAérea#TragédiaAérea#Voepass
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