Ameaças de envenenamento levam governo a reforçar segurança em aldeias indígenas

Polícia Federal investiga áudios divulgados em grupos de WhatsApp e já ouviu dois suspeitos.

Comitiva do governo federal acompanha ações de proteção às comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul, após denúncias de ameaças e violência.

📸Reprodução/AgênciaBrasil

O governo federal anunciou o envio de 145 agentes da Força Nacional de Segurança Pública para reforçar a proteção de comunidades indígenas em Mato Grosso do Sul. A medida foi divulgada no sábado (31), depois que denúncias de ameaças e possíveis ataques contra moradores de aldeias do estado chegaram às autoridades.

A operação será mantida por tempo indeterminado e atenderá três comunidades: Sassoró, no município de Tacuru; Taquaperi, em Coronel Sapucaia; e Limão Verde, em Amambai.

O anúncio foi feito pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva. Segundo ele, a prioridade é ampliar a presença policial e garantir uma resposta rápida diante de situações que coloquem em risco a integridade dos moradores.

Vigilância será realizada de forma contínua

O reforço contará com um sistema de acompanhamento denominado “Minuto a Minuto”, desenvolvido para permitir o deslocamento imediato de equipes em casos considerados graves.

A mobilização dos agentes poderá ser solicitada pela Polícia Federal, pela Polícia Rodoviária Federal ou pelas forças de segurança estaduais.

A estratégia busca reduzir o tempo de resposta às ocorrências e ampliar o monitoramento das áreas indígenas que receberam denúncias de ameaças. Não foi estabelecida uma data para o encerramento da operação.

Áudios com ameaças de morte provocaram preocupação

A decisão do governo ocorreu após a circulação de mensagens de áudio em grupos de WhatsApp contendo ameaças contra indígenas.

Em uma das gravações divulgadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), um homem supostamente ligado ao serviço público municipal de Tacuru defende o envenenamento da água consumida pelas comunidades.

O conteúdo gerou preocupação entre representantes indígenas, principalmente pela possibilidade de ataques contra recursos essenciais à sobrevivência dos moradores.

A autoria da gravação e as responsabilidades criminais ainda dependem da conclusão das investigações.

Polícia Federal já ouviu dois suspeitos

O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, informou que a Polícia Federal já ouviu duas pessoas suspeitas de envolvimento nas ameaças.

Segundo ele, dez denúncias foram submetidas a uma análise preliminar, das quais quatro estão relacionadas a Mato Grosso do Sul. Entre os registros examinados pelas autoridades estão suspeitas de envenenamento e atropelamentos.

Até o momento, conforme as informações divulgadas pelo ministro, apenas um dos episódios analisados apresentou ligação direta identificada com possível crime de motivação política.

Os demais casos continuam sob apuração, e não há confirmação de que todas as denúncias estejam relacionadas entre si.

Governo também vai reforçar fiscalização da água

Além do policiamento, o Ministério dos Povos Indígenas informou que haverá reforço na fiscalização da qualidade da água utilizada pelas comunidades.

A medida foi anunciada após a divulgação das ameaças de envenenamento.

O acompanhamento deverá ajudar a identificar eventuais riscos à saúde dos moradores e permitir que as autoridades adotem providências caso sejam encontradas irregularidades.

Até agora, as informações apresentadas não confirmam que o abastecimento das aldeias tenha sido efetivamente contaminado.

Proteção de comunidades indígenas mobiliza autoridades federais

A presença da Força Nacional nas três aldeias ocorre em meio à preocupação com a segurança das populações indígenas de Mato Grosso do Sul, estado que registra conflitos históricos envolvendo territórios tradicionais.

O reforço policial pretende garantir maior proteção aos moradores enquanto a Polícia Federal investiga a origem das ameaças e a possível participação de responsáveis pelos episódios denunciados.

As autoridades ainda não divulgaram prazo para a conclusão das investigações. A operação continuará enquanto o governo federal considerar necessária a presença das equipes nas comunidades atendidas.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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