A ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) lançou uma iniciativa para conseguir recursos financeiros enquanto permanece na Itália, onde aguarda novos desdobramentos do processo de extradição solicitado pelo Brasil. Por meio da plataforma Kiwify, ela criou uma comunidade digital com mensalidade de R$ 50, destinada a apoiadores interessados em contribuir com suas despesas no exterior. A informação foi publicada pelo jornal O Globo.
A proposta foi apresentada em um vídeo divulgado nas redes sociais. Na gravação, Zambelli convocou pessoas que já acompanharam sua trajetória política a participarem do grupo. Segundo a ex-parlamentar, o dinheiro arrecadado será utilizado para garantir sua permanência no território italiano até que sua situação judicial seja definida.
“Se você um dia me admirou, eu peço a sua ajuda para que você entre nessa comunidade e faça a sua inscrição para que eu possa me manter aqui na Itália até as coisas se resolverem no Brasil”, declarou.
Apoiadores terão acesso a conteúdos exclusivos
Além de contribuir financeiramente, os integrantes da comunidade deverão receber materiais exclusivos. Zambelli afirmou que pretende compartilhar conteúdos sobre diferentes áreas do conhecimento e experiências pessoais, com destaque para os relatos sobre o período em que esteve detida na Itália.
A ex-deputada também reconheceu que a cobrança mensal pode dificultar a participação de algumas pessoas. Ainda assim, defendeu que o espaço será uma forma de manter contato com os apoiadores e receber ajuda de quem puder colaborar.
Ao explicar a iniciativa, Zambelli atribuiu parte de suas dificuldades financeiras à inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com a ex-parlamentar, a medida tem dificultado a abertura de contas bancárias e a busca por oportunidades de trabalho na Itália.
Processo de extradição continua em análise
A permanência de Zambelli na Europa está relacionada às condenações impostas pelo STF em processos envolvendo a invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o porte ilegal de arma de fogo.
A ex-deputada deixou o Brasil em maio de 2025, passou pelos Estados Unidos e seguiu posteriormente para a Itália, onde também possui cidadania. Em julho daquele ano, após a inclusão de seu nome na lista vermelha da Interpol, ela foi presa pelas autoridades italianas.
Zambelli ficou detida por aproximadamente dez meses e manifestou interesse em responder aos processos perante a Justiça italiana.
Em julho, uma decisão anterior que autorizava sua extradição para o Brasil foi anulada pela Justiça da Itália, que determinou uma nova análise do pedido apresentado pelas autoridades brasileiras. Na ocasião, porém, os magistrados rejeitaram a alegação da defesa de que a ex-parlamentar seria alvo de perseguição política.
Audiência em Roma foi cancelada
O processo teve outro desdobramento recentemente, quando uma audiência na Corte de Apelação de Roma, responsável por examinar o pedido de extradição, foi cancelada após solicitação dos advogados de Zambelli.
A defesa justificou o pedido afirmando que ainda não havia recebido acesso aos documentos encaminhados pelo governo brasileiro. Com isso, a análise do caso deverá ser retomada posteriormente.
Enquanto espera pela continuidade do processo judicial, Zambelli busca manter sua estrutura financeira na Itália por meio da comunidade paga. A iniciativa estabelece uma contribuição mensal de R$ 50 e oferece aos apoiadores a possibilidade de acompanhar conteúdos exclusivos produzidos pela ex-parlamentar.
*Da Agência Fonte Exclusiva
