O governo federal autorizou a abertura de R$ 5,166 bilhões em créditos suplementares para reforçar o pagamento de benefícios assistenciais, a compra de medicamentos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e outras despesas da administração pública.
A medida foi publicada na Portaria GM/MPO nº 485, de 27 de outubro de 2026, do Ministério do Planejamento e Orçamento, no Diário Oficial da União.
A maior parte do dinheiro, aproximadamente R$ 4,726 bilhões, será destinada ao Fundo Nacional de Assistência Social, responsável por financiar pagamentos como o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a Renda Mensal Vitalícia (RMV) por invalidez.
O Fundo Nacional de Saúde também será contemplado, com R$ 387,6 milhões para ações de assistência farmacêutica.
Os valores serão obtidos por meio de remanejamentos dentro do orçamento federal, sem representar, necessariamente, dinheiro novo para os cofres públicos.
BPC receberá a maior parte dos recursos
O reforço destinado à assistência social corresponde a aproximadamente 91,5% do total autorizado pela portaria.
Os R$ 4,726 bilhões serão utilizados para cobrir despesas relacionadas ao pagamento de benefícios já existentes.
Entre eles está o BPC, que garante um salário mínimo mensal a idosos com 65 anos ou mais e a pessoas com deficiência de qualquer idade que atendam aos critérios legais de baixa renda.
Diferentemente da aposentadoria, o BPC não exige contribuições anteriores ao INSS. Trata-se de um benefício assistencial previsto na Lei Orgânica da Assistência Social (Loas).
Outra modalidade contemplada é a Renda Mensal Vitalícia por invalidez, benefício criado sob regras anteriores às atualmente aplicadas à assistência social.
Embora novas concessões dessa modalidade tenham sido encerradas, os pagamentos já reconhecidos continuam sendo mantidos conforme a legislação.
O reforço orçamentário não significa aumento no valor dos benefícios nem abertura automática de novas vagas. A finalidade é garantir recursos para despesas previstas.
SUS terá mais R$ 387,6 milhões para medicamentos
A saúde pública também receberá uma parcela importante do crédito suplementar.
O Fundo Nacional de Saúde contará com R$ 387,6 milhões adicionais para a assistência farmacêutica, área responsável por financiar o fornecimento de medicamentos na rede pública.
Os recursos contemplam ações relacionadas tanto à atenção básica quanto a tratamentos especializados.
Na atenção básica, os medicamentos são utilizados no acompanhamento de pacientes atendidos em unidades de saúde e outros serviços do SUS.
Já a assistência farmacêutica especializada envolve medicamentos destinados a determinadas doenças e condições clínicas, cujo fornecimento segue protocolos e critérios específicos.
O reforço será distribuído conforme a programação orçamentária e as regras de execução de cada ação.
Confira os estados com maiores valores previstos
| Estado | Valor aproximado |
| São Paulo | R$ 66 milhões |
| Paraná | R$ 56,9 milhões |
| Rio Grande do Sul | R$ 48,2 milhões |
| Minas Gerais | R$ 30,4 milhões |
| Goiás | R$ 26,4 milhões |
Os valores integram a programação de reforço da assistência farmacêutica e não significam que todos os medicamentos serão disponibilizados imediatamente.
A aquisição e a distribuição dependem dos procedimentos administrativos e das responsabilidades de cada esfera do SUS.
Outros setores também serão contemplados
Além da assistência social e da saúde, o crédito suplementar atenderá despesas de diferentes órgãos federais.
Entre as destinações estão recursos para ensino profissional marítimo militar, administração do Ministério da Agricultura e projetos de desenvolvimento sustentável.
Também estão previstos valores para preservação do patrimônio cultural da saúde, auxílio-moradia de agentes públicos e cumprimento de decisões judiciais.
Confira algumas das principais destinações:
| Destinação | Valor aproximado |
| BPC e RMV por invalidez | R$ 4,726 bilhões |
| Medicamentos e assistência farmacêutica do SUS | R$ 387,6 milhões |
| Ensino profissional marítimo militar | R$ 27,4 milhões |
| Administração do Ministério da Agricultura | R$ 10,9 milhões |
| Desenvolvimento sustentável local integrado | R$ 10,6 milhões |
| Sentenças judiciais da Nuclep | R$ 2,3 milhões |
| Patrimônio cultural da saúde | R$ 653,3 mil |
| Auxílio-moradia no Ministério da Justiça | R$ 463 mil |
Recursos serão retirados de outras dotações
O Ministério do Planejamento informou que a abertura dos créditos será financiada por meio da anulação de dotações previstas para outras despesas do orçamento federal.
Na prática, o governo poderá transferir recursos de determinadas ações para reforçar programas considerados prioritários.
Entre as dotações atingidas estão previsões relacionadas a atividades agropecuárias, setor energético, despesas de pessoal e programas de diferentes ministérios.
O remanejamento também alcança dotações para aposentadorias e pensões civis em instituições federais de ensino e hospitais universitários.
Isso não significa, automaticamente, que benefícios serão suspensos ou serviços interrompidos.
O impacto de cada cancelamento depende dos recursos que permanecerão disponíveis, das despesas já realizadas e das necessidades de execução de cada órgão.
Entenda o que é crédito suplementar
O crédito suplementar é um mecanismo previsto na legislação brasileira para reforçar despesas que já constam do orçamento, mas cujos valores precisam ser ampliados.
Esse instrumento permite ajustar a distribuição dos recursos públicos ao longo do ano, respeitando as autorizações e os limites legais.
No caso da portaria publicada em 27 de outubro, os R$ 5,166 bilhões serão obtidos por meio da redistribuição de verbas anteriormente reservadas para outras finalidades.
A medida busca assegurar a continuidade de pagamentos assistenciais e fortalecer a assistência farmacêutica do SUS.
A liberação orçamentária, entretanto, não significa pagamento imediato de todos os valores. A utilização dos recursos seguirá os procedimentos financeiros e administrativos de cada programa.
*Da Agência Fonte Exclusiva
