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Conversa de 1h20 ocorreu em “tom amistoso e cordial”, segundo o Planalto; presidentes defenderam retomada das negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos

Gettyimages.ru / RHJ / Andrew Harnik via RT

Lula e Trump discutem tarifas, guerras e crime organizado em telefonema

Conversa de 1h20 ocorreu em “tom amistoso e cordial”, segundo o Planalto.

redacao Por redacao
21/08/2026 - 22:12
em Política
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Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil, e Donald Trump, dos Estados Unidos, conversaram por telefone nesta sexta-feira (21) sobre comércio bilateral, segurança pública e os conflitos internacionais. Segundo o Palácio do Planalto, o diálogo durou cerca de uma hora e vinte minutos e ocorreu em “tom amistoso e cordial”.

Um dos principais pontos da conversa foi a recente imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros. Lula contestou as justificativas apresentadas por Washington e defendeu a continuidade das negociações para tentar superar o impasse comercial.

De acordo com o governo brasileiro, Trump concordou com a necessidade de preservar vínculos comerciais fortes e propôs que representantes dos dois países voltem à mesa de negociação o mais rapidamente possível.

Lula critica justificativas para novas tarifas

Durante a conversa, Lula classificou como “infundadas” as alegações apresentadas pelos Estados Unidos para justificar as novas barreiras comerciais contra produtos brasileiros.

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Entre os argumentos citados pelo governo norte-americano nas investigações comerciais estão questões relacionadas ao desmatamento, propriedade intelectual, combate à corrupção, funcionamento do Pix, mercado de etanol, acordos preferenciais e importações associadas a possíveis casos de trabalho forçado.

No mês passado, Washington anunciou tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, alegando práticas comerciais consideradas injustas pelos Estados Unidos. Outra tarifa, de 12,5%, atingiu produtos de dezenas de países, incluindo o Brasil, no contexto de medidas relacionadas ao combate ao trabalho forçado.

Lula argumentou que as tarifas prejudicam as economias dos dois países e reafirmou que a negociação diplomática e comercial representa o caminho mais adequado para enfrentar as divergências.

Trump, conforme o relato divulgado pelo governo brasileiro, concordou com a importância de manter uma relação comercial forte e sugeriu a retomada rápida das reuniões entre as equipes responsáveis pelas negociações.

Após o telefonema entre os presidentes, o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, entrou em contato com o ministro brasileiro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, para avançar na definição de uma nova rodada de conversas.

Ucrânia e Oriente Médio entram na conversa

Lula e Trump também abordaram os principais conflitos internacionais em andamento.

Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, os presidentes conversaram sobre a guerra entre Rússia e Ucrânia e sobre a crise no Oriente Médio.

Em relação à Ucrânia, Lula voltou a defender uma saída negociada para o conflito. O presidente brasileiro também retomou suas críticas ao funcionamento do Conselho de Segurança das Nações Unidas e mencionou a possibilidade de uma reunião extraordinária do órgão para buscar alternativas diplomáticas diante das atuais crises internacionais.

Segundo o relato do Planalto, Lula afirmou durante a conversa que grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles capazes de colocar fim aos conflitos.

Trump, por sua vez, apresentou considerações sobre as perspectivas envolvendo o conflito com o Irã, em um momento de elevada tensão entre Washington e Teerã.

Crime organizado provoca divergência

Outro tema importante do telefonema foi o combate ao crime organizado.

Lula reiterou a disposição do Brasil de ampliar a cooperação com os Estados Unidos no enfrentamento às organizações criminosas internacionais, especialmente em áreas como tráfico de drogas, armas, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras ilegais.

O presidente brasileiro, porém, voltou a discordar da decisão dos Estados Unidos de enquadrar organizações criminosas brasileiras como grupos terroristas.

Washington classificou duas facções brasileiras como organizações terroristas em maio, medida que passou a ser um dos pontos de divergência entre os dois governos.

Segundo o Planalto, Lula argumentou que as facções provocam terror cotidiano principalmente nas comunidades mais vulneráveis, mas sustentou que organizações criminosas e grupos terroristas possuem enquadramentos jurídicos diferentes.

O presidente afirmou ainda que a legislação brasileira possui mecanismos próprios para combater essas organizações sem necessidade de uma classificação adicional como terrorismo.

Durante a conversa, Lula apresentou a Trump medidas adotadas pelo Brasil para atingir financeiramente o crime organizado. Segundo informações divulgadas pelo governo brasileiro, operações recentes resultaram na apreensão de aproximadamente R$ 17 bilhões ligados à criminalidade.

Comércio volta ao centro da relação

Apesar das divergências, o telefonema representou uma retomada do diálogo direto entre os dois presidentes após a imposição das novas tarifas comerciais.

Foi a primeira conversa direta entre Lula e Trump desde o encontro realizado em Washington, em maio, antes do agravamento das tensões comerciais entre os dois países.

Brasil e Estados Unidos já mantinham negociações técnicas para tentar solucionar os impasses comerciais. Em julho, representantes dos dois governos realizaram diferentes reuniões para discutir temas incluídos nas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.

O governo brasileiro também iniciou procedimentos que podem resultar na aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica contra os Estados Unidos, caso as negociações não produzam resultados.

O telefonema desta sexta-feira, no entanto, indicou a intenção dos dois presidentes de manter o canal diplomático aberto e acelerar uma nova rodada de negociações.

Segundo a Reuters, um integrante do governo brasileiro afirmou que o objetivo central da ligação foi justamente reabrir o processo de negociação comercial.

Até a publicação das primeiras informações sobre o telefonema, o governo dos Estados Unidos ainda não havia divulgado um relato próprio detalhado da conversa.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Tags: #Brasil#ComércioExterior#CrimeOrganizado#Diplomacia#DonaldTrump#EstadosUnidos#EUA#Geopolítica#Irã#Lula#Notícias#OrienteMédio#PolíticaInternacional#Tarifaço#Tarifas#Ucrânia
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