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ANPD determina suspensão de transmissões ao vivo e compartilhamento de vídeos no Discord no Brasil durante investigação sobre proteção de menores.

Imagem: Reprodução/ Valter Campanato/Agência Brasil

ANPD suspende transmissões do Discord no Brasil por proteção de menores

Medida preventiva ocorre durante fiscalização sobre proteção de crianças e adolescentes e analisa o uso de criptografia de ponta a ponta na plataforma.

redacao Por redacao
14/08/2026 - 19:44
em Brasil
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A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) colocou sob análise as medidas adotadas pelo Discord para proteger crianças e adolescentes no Brasil.

Como medida preventiva, a agência determinou a suspensão de transmissões ao vivo e do compartilhamento de vídeos na plataforma enquanto avalia o cumprimento das regras de proteção de menores.

A fiscalização foi aberta no início de agosto e busca verificar se a empresa dispõe de medidas estruturais e procedimentos suficientes para reduzir riscos a usuários menores de idade.

O caso ganhou repercussão após a morte de uma adolescente de 13 anos, de Naviraí (MS), durante uma transmissão realizada em canais do Discord em 22 de julho.

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Criptografia está entre os pontos analisados

Um dos principais aspectos avaliados pela ANPD é o uso de criptografia de ponta a ponta nas chamadas de voz e vídeo do Discord.

A tecnologia começou a ser adotada globalmente pela plataforma em 2 de março de 2026. Com esse mecanismo, o conteúdo de uma comunicação fica protegido contra acesso de terceiros que não participam da conversa.

De acordo com a empresa, nem funcionários nem sistemas automatizados do Discord conseguem acessar o conteúdo de chamadas ou transmissões protegidas pela criptografia.

A ANPD, entretanto, avalia que a tecnologia pode dificultar a utilização de ferramentas de monitoramento e proteção durante transmissões ao vivo. Para a agência, essa limitação precisa ser analisada à luz das obrigações estabelecidas pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).

Entre os mecanismos previstos na legislação estão recursos de verificação de idade e ferramentas de supervisão parental.

Caso de adolescente em Naviraí

O episódio envolvendo a adolescente de 13 anos é um dos elementos considerados na fiscalização. Segundo a ANPD, o caso chamou atenção para a facilidade de acesso e utilização da plataforma por adolescentes.

A agência informou que mais de 200 pessoas acompanharam a transmissão realizada pela adolescente.

Na avaliação da área de fiscalização, os recursos de comunicação privada e coletiva disponíveis no Discord podem criar situações de exposição de crianças e adolescentes a riscos como assédio, aliciamento e outros contatos potencialmente prejudiciais.

A ANPD também considera que a proteção proporcionada pela criptografia não elimina as responsabilidades da empresa previstas na legislação brasileira. Caso determinada tecnologia impeça a aplicação de um mecanismo de segurança, a plataforma deverá avaliar alternativas que ofereçam proteção equivalente ou superior.

Operação Lívia também é citada

O episódio está relacionado a uma investigação conduzida pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul em conjunto com o Ministério da Justiça e Segurança Pública, denominada Operação Lívia.

A apuração busca identificar uma suposta organização criminosa que teria utilizado comunidades virtuais para atrair crianças e adolescentes e submetê-los a situações de coerção psicológica.

Segundo as investigações, integrantes do grupo incentivavam vítimas a participar de desafios relacionados a violência contra animais, automutilação e autoextermínio.

Na primeira fase da operação, cinco adolescentes com idades entre 13 e 17 anos foram apreendidos e um homem de 18 anos foi detido. Também foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro.

Denúncias sobre Discord aumentam

Levantamento da SaferNet Brasil aponta crescimento das denúncias relacionadas ao Discord. Entre janeiro e julho de 2026, foram registradas 406 denúncias, contra 264 no mesmo período de 2025, aumento de 54%.

Desde 2017 até julho de 2026, a organização informou ter recebido e analisado 2.059 links relacionados à plataforma. Os endereços encaminhados para análise estavam associados a conteúdos, servidores, perfis ou mensagens do Discord.

Empresa afirma combater conteúdos violentos

Procurado sobre a compatibilidade da criptografia com as exigências do ECA Digital, o Discord não havia respondido à Agência Brasil até a publicação da reportagem.

Em manifestação anterior, a empresa afirmou que suas regras não permitem grupos ou usuários que promovam ou incentivem violência. A companhia também declarou que mantém equipes especializadas para identificar e desarticular esses grupos, remover conteúdos que violem as regras e colaborar com autoridades policiais.

A ANPD, por sua vez, sustenta que a utilização de criptografia não afasta a necessidade de adoção de mecanismos eficazes para a proteção de crianças e adolescentes.

A discussão ocorre em um contexto de reforço das obrigações de segurança digital para menores. A própria ANPD já vem tratando, em documentos técnicos e processos de monitoramento, da necessidade de medidas proporcionais aos riscos oferecidos por plataformas digitais e serviços com interação entre usuários.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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