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Home Economia
O preço do petróleo Brent subiu 6% e ultrapassou US$ 100 após ataques no Mar Vermelho. Escalada no Oriente Médio aumenta preocupações com o abastecimento global e a inflação.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

Petróleo dispara após ataques no Mar Vermelho e tensão no Oriente Médio eleva temor sobre abastecimento global

Barril do Brent supera US$ 100 após ações dos houthis contra embarcações sauditas e bloqueio de rota estratégica para o comércio internacional.

redacao Por redacao
23/07/2026 - 15:56
em Economia
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A intensificação das tensões no Oriente Médio voltou a impactar o mercado internacional de energia. Nesta quinta-feira (23), o barril de petróleo Brent registrou alta de 6% e passou a ser negociado acima de US$ 100, impulsionado pelos ataques realizados pelos houthis, grupo do Iêmen, contra embarcações da Arábia Saudita no Mar Vermelho.

A valorização da commodity ocorreu após o anúncio do bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb para navios sauditas. A passagem é considerada uma das principais rotas marítimas do planeta e desempenha papel estratégico no transporte de petróleo e mercadorias entre a Ásia, a Europa e outras regiões do mundo.

A medida ampliou as preocupações do mercado com possíveis interrupções no abastecimento global, além de aumentar os riscos de pressão sobre a inflação e sobre as cadeias internacionais de suprimentos.

Crise energética ganha novo capítulo

O mercado petrolífero já vinha enfrentando instabilidade nos últimos meses em razão da redução da oferta provocada pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã. Desde fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz afetou uma rota responsável por cerca de 20% do transporte marítimo mundial de combustíveis.

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Após um memorando de entendimento firmado entre Irã e Estados Unidos em 17 de junho, os preços chegaram a recuar, com o Brent sendo negociado próximo de US$ 70 por barril no início de julho. No entanto, a retomada das tensões levou a uma valorização acumulada de aproximadamente 42% desde então.

Especialistas afirmam que o bloqueio de Bab el-Mandeb representa uma nova ameaça ao equilíbrio da oferta mundial de petróleo.

Segundo a diretora técnica do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), Ticiana Álvares, a Arábia Saudita utilizava oleodutos até o Mar Vermelho como alternativa para exportar petróleo diante das restrições no Estreito de Ormuz. Com o bloqueio da nova rota, essa opção fica comprometida.

Impactos para economia e comércio

Analistas avaliam que possíveis restrições às exportações sauditas podem afetar o fornecimento de combustíveis para diversos mercados, incluindo os Estados Unidos, além de pressionar ainda mais os preços internacionais da energia.

Os efeitos também podem atingir o transporte marítimo global. Caso o bloqueio do Estreito de Bab el-Mandeb se prolongue, embarcações que utilizam o Mar Vermelho e o Canal de Suez poderão enfrentar atrasos, aumento dos custos logísticos e necessidade de rotas alternativas.

Estimativas da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que aproximadamente 10% do comércio marítimo mundial de petróleo passa pela rota formada pelo Estreito de Bab el-Mandeb e pelo Mar Vermelho.

Na avaliação do diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), Rodolfo Queiroz Laterza, a Arábia Saudita poderá registrar perdas econômicas significativas, enquanto países dependentes da importação de petróleo e derivados tendem a enfrentar aumento dos custos de energia.

Já o professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), Danny Zahreddine, afirma que o fechamento da passagem marítima representa uma nova fase da crise regional, aumentando a pressão sobre Estados Unidos e seus aliados ao dificultar o fluxo de petróleo e mercadorias.

Segundo especialistas, os impactos vão além do setor energético. O bloqueio também pode comprometer o comércio internacional entre Europa, Estados Unidos e países asiáticos, como China, Malásia, Indonésia e Singapura, que utilizam a rota do Mar Vermelho por sua importância estratégica.

Analistas destacam ainda que a guerra no Iêmen voltou a ganhar intensidade após a ampliação dos confrontos envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. A avaliação é que o grupo houthi possui capacidade para atingir embarcações utilizando mísseis antinavio, mísseis balísticos, drones e outros armamentos, cenário que amplia as incertezas sobre a segurança da navegação e sobre a estabilidade do mercado global de petróleo.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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