Uma nova tecnologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros promete ampliar a capacidade de previsão meteorológica, especialmente em regiões onde a cobertura de radares é limitada ou inexistente.
Batizado de Tupann, o sistema utiliza inteligência artificial para prever chuvas e tempestades com até três horas de antecedência a partir de imagens de satélite.
Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo, o projeto foi criado por pesquisadores do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e se destaca por dispensar o uso de radares meteorológicos tradicionais, ferramenta amplamente utilizada para monitoramento climático.
O sistema foi desenvolvido pelos doutorandos Antônio Catão, Melvin Poveda e Leonardo Voltarelli, sob orientação do matemático Paulo Orenstein.
O trabalho ganhou reconhecimento internacional ao ser premiado durante a International Conference on Learning Representations (ICLR), um dos principais eventos mundiais dedicados à pesquisa em inteligência artificial, realizado este ano no Rio de Janeiro.
Previsões rápidas e detalhadas
A tecnologia processa dados de satélite e gera mapas de previsão de chuva em intervalos de dez minutos, com resolução aproximada de dois quilômetros.
De acordo com os pesquisadores, o modelo consegue produzir projeções meteorológicas em menos de três minutos, oferecendo respostas rápidas para situações que exigem monitoramento constante.
A inovação surge como alternativa importante para complementar os sistemas convencionais de observação climática.
Atualmente, os radares meteorológicos são considerados uma das principais ferramentas para detectar precipitações, mas sua cobertura pode ser prejudicada por obstáculos geográficos, interferências tecnológicas e limitações físicas relacionadas à curvatura da Terra.
Além disso, a instalação e manutenção desses equipamentos exigem investimentos elevados, o que dificulta sua expansão para áreas mais remotas.
Satélites ajudam a ampliar cobertura
Nesse cenário, o monitoramento por satélite desempenha papel fundamental. Embora apresente desafios para medir com precisão a intensidade das chuvas, a tecnologia oferece cobertura muito mais ampla, permitindo acompanhar fenômenos meteorológicos em regiões onde os radares não conseguem operar adequadamente.
Especialistas apontam que a combinação entre diferentes fontes de informação continua sendo a melhor estratégia para aumentar a precisão das previsões. Em locais sem radares, porém, os satélites representam a principal alternativa para o acompanhamento das condições atmosféricas.
Ferramenta pode auxiliar na prevenção de desastres
Os pesquisadores acreditam que o Tupann poderá contribuir para a emissão de alertas mais rápidos sobre eventos climáticos extremos, auxiliando autoridades e órgãos de defesa civil na prevenção de enchentes, enxurradas e deslizamentos de terra.
A antecipação de tempestades é considerada uma ferramenta estratégica para reduzir riscos e minimizar impactos causados por fenômenos naturais, especialmente em áreas vulneráveis.
Limitações ainda existem
Apesar dos avanços, os especialistas ressaltam que a inteligência artificial ainda enfrenta desafios. Entre eles estão as chamadas “alucinações”, quando o sistema gera previsões meteorológicas aparentemente coerentes, mas que não correspondem às condições reais da atmosfera.
Outro ponto destacado por pesquisadores da área climática é que os modelos de IA aprendem com dados históricos. Dessa forma, eventos inéditos ou fenômenos extremos que fogem dos padrões já registrados podem representar dificuldades para os algoritmos de previsão.
Mesmo com essas limitações, a nova ferramenta é vista como um importante passo para o desenvolvimento de soluções tecnológicas voltadas ao monitoramento climático e à prevenção de desastres naturais no Brasil.
*Da Agência Fonte Exclusiva
