O avanço das mudanças climáticas e o aumento da frequência de eventos extremos voltaram ao centro das discussões internacionais nesta segunda-feira (18), durante o lançamento do relatório Estado do Clima na América Latina e no Caribe 2025, produzido pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas (ONU).
O evento foi realizado em Brasília, na sede do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), marcando a primeira vez que a apresentação regional do relatório acontece no Brasil. A organização ficou sob responsabilidade do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
O documento reúne dados científicos, análises meteorológicas e informações de centros de pesquisa sobre os impactos climáticos na América Latina e Caribe.
Entre os principais alertas apresentados estão o aumento contínuo das temperaturas, a intensificação de secas, chuvas extremas, ciclones e a redução das geleiras andinas, fator que preocupa especialistas pela ameaça à segurança hídrica de diversos países da região.
Durante a cerimônia, a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirmou que o relatório funciona como um chamado internacional para ampliar medidas de adaptação climática e fortalecimento dos sistemas de monitoramento.
Segundo ela, os países precisam investir em alertas precoces, serviços meteorológicos mais eficientes e ampliar o acesso da população às informações climáticas, especialmente em áreas vulneráveis.
Representando o governo federal, o ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, destacou que o Brasil vem ampliando políticas voltadas à agricultura sustentável e à redução das emissões de carbono.
O ministro citou os avanços do Plano ABC, programa nacional voltado à agricultura de baixa emissão de carbono, implementado desde 2010. De acordo com ele, a estratégia permitiu reduzir impactos ambientais por meio da recuperação de pastagens degradadas, integração lavoura-pecuária-floresta e adoção de sistemas produtivos sustentáveis.
No novo ciclo do programa, válido entre 2021 e 2030, a meta do governo brasileiro é incorporar mais 50 milhões de hectares em sistemas resilientes e sustentáveis, além de reduzir significativamente a emissão de gases de efeito estufa.
O climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Cemaden, também apresentou dados preocupantes durante o encontro. Segundo ele, 2025 já aparece entre os anos mais quentes da história recente, com temperaturas acima da média histórica em vários países da América Latina.
Além do aumento do calor, o especialista alertou para a elevação do nível do mar em regiões costeiras do Atlântico e do Caribe, cenário que pode ampliar riscos de enchentes, erosão e impactos sociais nas próximas décadas.
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia Sena, ressaltou a importância da ciência no enfrentamento da crise climática e defendeu políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à transição para modelos de desenvolvimento de baixo carbono.
O governo federal também anunciou investimentos na modernização da meteorologia brasileira. A previsão é que, até 2027, o país conte com 977 estações meteorológicas automáticas equipadas com sistemas avançados de transmissão via satélite, permitindo respostas mais rápidas diante de desastres naturais e eventos climáticos extremos.
Para especialistas e autoridades presentes no evento, a cooperação entre governos, instituições científicas e organismos internacionais será decisiva para enfrentar os impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas na região.
*Da Agência Fonte Exclusiva
