Em meio ao crescimento dos casos de violência contra mulheres no país, o debate sobre misoginia ganhou força no Senado Federal, que aprovou um projeto de lei que transforma essa prática em crime.
A proposta prevê penas de dois a cinco anos de prisão para quem cometer esse tipo de conduta.
A misoginia é definida como o ódio ou desprezo direcionado às mulheres, frequentemente associado à manutenção de desigualdades históricas entre os gêneros.
Especialistas destacam que o problema vai além de atitudes individuais, estando ligado a estruturas sociais que favorecem diferentes formas de violência.
Nos últimos anos, conteúdos misóginos têm se expandido em redes sociais e fóruns digitais, onde discursos de ódio encontram espaço e, em alguns casos, incentivam ações concretas.
Um dos episódios recentes citados em investigações é o assassinato da policial Gisele Alves Santana, em São Paulo. O principal suspeito é seu marido, Geraldo Leite Rosa Neto, que utilizava termos comuns em comunidades misóginas online.
Outro caso que chamou atenção foi a circulação de vídeos nas redes sociais em que homens simulam agressões contra mulheres após rejeição, evidenciando a banalização da violência em determinados ambientes digitais.
O projeto aprovado define misoginia como qualquer ação baseada em ódio, discriminação ou desprezo contra mulheres e inclui essa prática entre os crimes previstos na Lei do Racismo. A proposta segue agora para análise da Câmara dos Deputados.
Durante a tramitação, parlamentares discutiram a possibilidade de incluir exceções relacionadas à liberdade de expressão ou motivos religiosos, mas essas sugestões foram rejeitadas.
Estudos também apontam o crescimento da chamada “machosfera”, rede de comunidades online que dissemina visões extremas sobre masculinidade e oposição aos direitos das mulheres.
Levantamento do NetLab UFRJ identificou mais de 130 mil canais com conteúdos desse tipo no YouTube, muitas vezes disfarçados como conteúdos sobre relacionamentos ou desenvolvimento pessoal.
Os dados da violência reforçam a preocupação. Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o Brasil registra, em média, quatro feminicídios por dia — foram 1.547 casos em 2025, mantendo uma tendência de alta observada na última década.
Para vítimas ou testemunhas de violência, existem canais de denúncia e apoio, como a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), disponível 24 horas, além do Disque 100 e do telefone 190 da Polícia Militar. Esses serviços são fundamentais para interromper ciclos de violência e garantir proteção às vítimas.
*Da Agência Fonte Exclusiva
