O Carnaval é sinônimo de festa, calor e longas horas nas ruas. Mas, junto com a animação, vêm riscos à saúde que podem transformar a folia em ida ao pronto-socorro. Especialistas alertam que hidratação, alimentação equilibrada e moderação no consumo de álcool são fundamentais para evitar complicações.
Hidratação é prioridade absoluta
A nutricionista Anete Mecenas, coordenadora do curso de Nutrição da Universidade Estácio, destaca que o primeiro cuidado do folião deve ser a ingestão adequada de líquidos.
Segundo ela, o ideal é consumir pelo menos dois litros de água por dia, podendo aumentar essa quantidade em dias de muito calor ou intensa atividade física.
Além da água, bebidas como água de coco e isotônicos ajudam a repor eletrólitos e prevenir mal-estar associado à desidratação. O cirurgião gastroenterologista Rodrigo Barbosa reforça que a recomendação mínima é de 35 ml de água por quilo de peso corporal, especialmente em situações de exposição prolongada ao sol e ao álcool.
Alimentação leve e regular
Ficar muitas horas sem comer pode provocar queda de glicemia, tontura e até desmaios. A orientação é fazer refeições leves e frequentes, priorizando alimentos de fácil digestão.
Frutas, iogurtes, sanduíches naturais, castanhas e barras de cereais com menos conservantes são boas opções. Sempre que possível, recomenda-se realizar uma refeição completa com arroz, feijão, legumes e proteína magra.
Alimentos ultraprocessados, ricos em gordura, açúcar e sódio, devem ser evitados, pois podem causar desconforto gastrointestinal e piorar o quadro de desidratação.
Cuidado com alimentos de rua
Especialistas alertam para o risco de consumir alimentos de procedência duvidosa ou armazenados de forma inadequada.
Sanduíches conservados por longos períodos em isopor e carnes mantidas fora de refrigeração aumentam o risco de infecções intestinais e gastroenterites bacterianas.
Álcool exige atenção
O consumo de bebidas alcoólicas é um dos principais fatores de risco no Carnaval. O álcool irrita a mucosa gástrica, aumenta o risco de gastrite e refluxo, além de contribuir para desidratação.
A recomendação é nunca beber em jejum e sempre intercalar álcool com água. Também é importante verificar a procedência das bebidas, já que intoxicações por metanol podem ter consequências graves.
Sono e medicamentos
Privação de sono também compromete a imunidade e o funcionamento intestinal. Dormir adequadamente ajuda o organismo a lidar melhor com o esforço físico e a exposição ao calor.
O uso indiscriminado de anti-inflamatórios pode causar úlceras e sangramentos digestivos. Já antiácidos podem mascarar sintomas importantes, atrasando o diagnóstico de complicações.
Quando procurar atendimento
Diarreia persistente por mais de 48 horas, febre, vômitos frequentes, sangue nas fezes ou dor abdominal intensa são sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata.
O cardiologista Leandro da Silva Elias alerta que o calor excessivo sobrecarrega o sistema cardiovascular. Entre os efeitos estão aumento da frequência cardíaca, queda da pressão arterial, desidratação e desequilíbrio de eletrólitos.
Grupos de maior risco incluem idosos, crianças, diabéticos, cardiopatas, obesos e pacientes renais crônicos.
Sintomas como tontura, desmaio, suor excessivo, falta de ar e dor de cabeça não devem ser ignorados.
A exposição prolongada ao sol pode levar à insolação, condição grave caracterizada por temperatura corporal acima de 40°C, podendo resultar em danos cerebrais e falência de órgãos se não tratada rapidamente.
Uso de drogas agrava riscos
O uso de substâncias ilícitas potencializa os efeitos da desidratação e pode desencadear arritmias, palpitações e eventos cardiovasculares graves.
Especialistas reforçam que, embora o Carnaval seja um período de celebração, cuidados básicos fazem a diferença entre diversão e emergência médica.
Festa é para ser lembrada pelas histórias boas. Não pelas fichas de internação.
*Da Agência Fonte Exclusiva
