A Suprema Corte de Justiça da Argentina confirmou nesta terça-feira (10) a condenação da ex-presidente Cristina Fernández de Kirchner por corrupção, decisão que a impede de disputar as eleições legislativas e pode resultar em sua prisão.
Cristina, que já havia anunciado sua candidatura a deputada pela província de Buenos Aires nas eleições de setembro, está agora legalmente inabilitada para concorrer a qualquer cargo público. Ela também é alvo de um mandado de prisão ainda não executado devido a recursos pendentes e por já ter ocupado cargos com foro especial.
A confirmação da sentença encerra todas as instâncias legais dentro da Argentina e altera o cenário político do país, onde Cristina ainda exerce forte influência como presidente do Partido Justicialista (PJ), principal sigla do peronismo.
Condenação e acusações
A ex-presidente foi condenada em dezembro de 2022 a seis anos de prisão e à inabilitação perpétua para exercer funções públicas no caso conhecido como Causa Vialidad. O processo investigou fraudes em contratos de obras públicas na província de Santa Cruz, supostamente beneficiando o empresário Lázaro Báez durante os governos kirchneristas.
Cristina nega todas as acusações e afirma que o processo foi usado para retirá-la da disputa política. Em discurso na noite anterior à decisão, durante um ato do PJ, ela criticou o governo de Javier Milei e disse que a Justiça age a serviço de interesses econômicos.
“Acham que vão resolver tudo me prendendo. Estarei presa, mas o povo vai continuar piorando”, disse Cristina diante de apoiadores. Ela também chamou os magistrados da Suprema Corte de “guarda pretoriana do poder econômico” e convocou mobilizações populares.
Denúncia na Corte de Haia
Logo após a decisão, o advogado de Cristina, Gregorio Dalbón, anunciou que protocolou uma denúncia na Corte Internacional de Haia contra o Estado argentino por perseguição política, judicial e midiática.
“Levamos a voz de milhões que não encontram justiça em seu próprio país”, declarou Dalbón nas redes sociais.
Controvérsias no julgamento
O processo contra Cristina foi alvo de críticas pela falta de imparcialidade. Vieram a público fotos mostrando o procurador Diego Luciani e o juiz Rodrigo Giménez Uriburu — que participaram da condenação — jogando futebol em propriedades do ex-presidente Mauricio Macri, adversário político da ex-presidente.
Também houve denúncias de que membros do Judiciário e empresários ligados à mídia articularam a cobertura do caso, o que reforçou as acusações de “lawfare” — uso do Judiciário para perseguição política.
*Da Agência Fonte Exclusiva com informações da RT.
