O Rebate
  • Home
  • Brasil
  • Cidades
  • Saúde
  • Cultura
  • Canal VIU
  • Tecnologia
  • Internacional
Nada encontrado
Ver todos os resultados
O Rebate
  • Home
  • Brasil
  • Cidades
  • Saúde
  • Cultura
  • Canal VIU
  • Tecnologia
  • Internacional
Nada encontrado
Ver todos os resultados
O Rebate
Nada encontrado
Ver todos os resultados
Home Internacional

Crescimento da comunidade brasileira impulsiona luta contra o racismo em Portugal

Presença de até 500 mil brasileiros deu origem a coletivos de combate à discriminação, reforçando movimentos de portugueses e residentes de origem africana

Redação Por Redação
07/08/2022 - 10:45
em Internacional
0
CompartilharCompartilharCompartilhar

A amplificação da luta contra o racismo em Portugal acompanha o aumento da população brasileira no país. A comunidade disparou a partir de 2017 e contribuiu para dar mais visibilidade internacional aos movimentos de combate à discriminação. Coletivos de apoio cresceram ou foram criados, virando protagonistas ao lado de organizações locais e de origem africana.

A população brasileira oficial em Portugal é de 204.694 pessoas, a maior entre estrangeiros. Se incluídos os que têm cidadania europeia ou aguardam regularização, o número se aproxima dos 500 mil. Eles ajudam a dar ressonância também internamente a episódios de racismo como o ocorrido na Costa da Caparica com os filhos de Giovanna Ewbank e Bruno Gagliasso.

Muitos dos novos residentes que desembarcaram com bagagem de ativismo social se identificaram com coletivos e associações nacionais estabelecidas, como o SOS Racismo e a Associação de Afrodescendentes Djass. Mas levaram bandeiras e pautas específicas do Brasil, como o assassinato da vereadora Marielle Franco. Assim, adicionaram voz própria ao movimento, seja de maneira individual ou em associações, como explica Pedro Góis, sociólogo e professor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra.

— A população brasileira cresceu e trouxe maior visibilidade ao tema. O eco antirracismo é sentido com mais intensidade hoje, porque estes brasileiros que trouxeram diversidade a Portugal projetam suas vozes para mais longe e com mais força. Sempre que há um caso com bastante repercussão, como esse agora, tenho esperança de que sirva para educar a população sobre o que não faz sentido — diz Góis.

Leia Também

Governo Milei anuncia plano para desligar até 21 mil servidores na Argentina

FBI avalia contratar UFC para treinar agentes federais em técnicas de combate

Vários episódios de racismo ocorreram de 2017 até hoje contra brasileiros, africanos e portugueses. No mais grave, o ator português Bruno Candé foi assassinado em Lisboa. Manifestações aconteceram em várias cidades com participação de brasileiros, que incluíram nos protestos reivindicações e mensagens dirigidas ao governo em Brasília.

Aumento das denúncias

Entre 2017 e 2020, as denúncias de discriminação contra brasileiros aumentaram 433%, segundo os dados mais recentes da Comissão para a Igualdade e contra a Discriminação Racial (CICDR). O discurso de ódio contra brasileiros pode reunir múltiplas expressões e atacar a cor da pele, sexo e nacionalidade ao mesmo tempo. “As associações de imigrantes desempenham papel fundamental na integração, conscientização e divulgação dos mecanismos para a prevenção e combate à discriminação racial”, informou o CICDR.

Os coletivos de brasileiros são conhecidos pelo combate às várias expressões de discriminação e pela defesa da democracia no Brasil. Eles incluem o Coletivo Andorinha de Lisboa, fundado em março de 2016, e a Fibra, a Frente de Imigrantes Brasileiros Antifascistas do Porto, de 2018. Juntos, organizaram em 20 de novembro de 2021 o “Dia da Consciência Negra contra Bolsonaro” em frente à prefeitura de Lisboa.

A Casa do Brasil de Lisboa é a maior entidade de apoio aos imigrantes e mantém colaboração ativa com a CICDR. Fez 30 anos em 2022 e hoje tem duas mulheres na direção. A presidente é a psicóloga Cyntia de Paula. A vice é a cientista política Ana Paula Costa.

— A participação das mulheres brasileiras nos grupos de combate ao racismo tem sido fundamental, porque trazem a interseção de gênero e de nacionalidade. Com a nova onda de chegada de brasileiros, novos grupos, surgiram e se uniram ao movimento antirracista de Portugal, que há muito tempo faz um trabalho árduo — diz Costa, citando a Plataforma Geni e o Coletivo Maria Felipa, entre outros.

Cyntia de Paula acrescenta:

— Ninguém falava de Portugal racista e ainda há imensa resistência do Estado em assumir essa condição. Chegou um pessoal muito político, atento às questões em áreas nas quais que o Brasil está à frente, de combate ao racismo, machismo e patriarcado. Isso se refletiu na criação de coletivos. As Brasileiras Não Se Calam, por exemplo, é um movimento fundamental porque mostra que a discriminação mão é invenção de ativistas, é real — afirma De Paula.

Criado em 2020 pela psicóloga alagoana Mariana Braz, o Brasileiras Não Se Calam dá voz e apoio emocional às mulheres vítimas de discriminação por raça, etnia, gênero e nacionalidade. Sua página no Instagram atraiu milhares de seguidores e a atenção da imprensa e das universidades.

— Passamos a ter noção do quanto o pensamento colonialista está presente em Portugal. A mídia passou a falar e recebo pedidos de entrevistas para teses e artigos científicos. Além da violência sofrida por mulheres negras, existe a racialização daquelas que no Brasil eram lidas como brancas, mas na Europa são consideradas não brancas — conta Braz.

Baixa representação

Os ideais dos ativistas brasileiros começam a encontrar caminhos na política. Nas últimas eleições municipais, Cyntia de Paula foi incluída na lista do Bloco de Esquerda em Lisboa, e Rafael Henrique Victório, que colaborou na criação da Fibra, na do Porto.

— Enfrentamos resistência, mas temos permeado mais lugares na política, nos partidos, na esfera pública e na universidade — diz De Paula.

Ana Paula Costa lembra que a representação na Assembleia da República, o Parlamento português, evidencia que o racismo estrutural ainda é grande:

— Em 2019, três deputadas negras foram eleitas, mas todas foram muito atacadas e sofreram racismo. Mesmo ocupando espaços de poder e de representatividade, mesmo eleitas, houve uma estrutura que resistiu à presença de mulheres negras nesses espaços. Hoje, só temos uma deputada negra [Romualda Fernandes, do Partido Socialista].

Pedro Góis alerta para o que chamou de risco de que a politização do movimento prejudique a luta contra o racismo.

— A pauta antirracista vem sendo apropriada por grupos políticos e não podemos correr o risco de deixarmos politizar. São questões sociais e devem ser encaradas assim. Não vejo outra maneira que não seja o combate feito pela própria sociedade — afirma Góis.

As informações são do Jornal O GLOBO.

Tags: #Portugal#Racismo
CompartilhamentoEnviarEnviar
Notícia anterior

Estudante brasileiro conquista medalha em olimpíada internacional de matemática

Próxima notícia

Auxílio Brasil deixa 8 milhões de “invisíveis” de fora

Redação

Redação

Jornalismo é oposição. O resto é armazém de secos e molhados." ... Millôr Fernandes

O Rebate é um site localizado em Macaé, mas de olho em tudo o que acontece no Estado do Rio, no Brasil e no mundo.

CONTATO

E-mail:
[email protected]

Conheça O Rebate

EDITORIAS

  • Brasil
  • Canal VIU
  • Cidades
  • Concurso
  • Cultura
  • Economia
  • Esporte
  • Internacional
  • Opinião
  • Política
  • Saúde
  • Sonhos
  • Tecnologia

Criação Web Tchê Digital

Nada encontrado
Ver todos os resultados
  • Saúde
  • Tecnologia
  • Cultura
  • Brasil
  • Canal VIU
  • Cidades

Criação Web Tchê Digital