Acordar duas, três ou mais vezes durante a madrugada para ir ao banheiro pode parecer apenas um incômodo passageiro. Mas, quando isso acontece com frequência, especialmente entre homens a partir dos 50 anos, é importante investigar a causa. O problema pode estar relacionado à hiperplasia prostática benigna (HPB), condição caracterizada pelo aumento não canceroso da próstata.
A doença está entre os problemas urológicos mais comuns com o envelhecimento masculino. Embora não seja um câncer, o crescimento da próstata pode comprimir a uretra, canal responsável pela passagem da urina, dificultando o esvaziamento da bexiga.
Neste Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização sobre a saúde masculina, especialistas reforçam a importância de reconhecer os sintomas e procurar atendimento médico antes que o problema comprometa a rotina.
Quais são os principais sintomas?
Os sinais da hiperplasia prostática benigna costumam aparecer de forma gradual. Muitos homens convivem com as alterações durante meses ou anos antes de procurar um urologista.
Entre os sintomas mais frequentes estão a dificuldade para começar a urinar, a diminuição da força do jato urinário, a sensação de que a bexiga não esvaziou completamente e a necessidade de ir ao banheiro várias vezes ao dia.
Outro sinal bastante comum é a noctúria, nome dado à necessidade de acordar durante a noite para urinar.
Quando essas interrupções se tornam frequentes, a qualidade do sono pode ser prejudicada, provocando cansaço, sonolência e dificuldade de concentração durante o dia.
É importante lembrar que esses sintomas também podem estar associados a outras condições, como infecções urinárias, diabetes e alterações no funcionamento da bexiga.
Por isso, o diagnóstico não deve ser feito apenas com base nos sinais percebidos pelo paciente.
Aumento benigno da próstata não é câncer
Uma das principais dúvidas dos pacientes é se a hiperplasia prostática benigna pode se transformar em câncer.
A HPB não é uma doença maligna e não se transforma em câncer de próstata. As duas condições, entretanto, podem ocorrer no mesmo paciente.
A próstata é uma glândula localizada abaixo da bexiga, responsável pela produção de parte do líquido que compõe o sêmen. Com o avanço da idade, alterações hormonais e outros fatores podem favorecer seu crescimento.
Quando esse aumento interfere na passagem da urina, surgem os sintomas urinários que precisam ser avaliados pelo especialista.
Embolização da próstata é uma alternativa de tratamento
Entre as opções disponíveis para determinados pacientes está a embolização das artérias prostáticas, procedimento minimamente invasivo que busca reduzir o volume da glândula e aliviar a obstrução urinária.
O médico Francisco César Carnevale, do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo (USP), explica que a técnica consiste em bloquear seletivamente parte da circulação sanguínea que alimenta a próstata.
O procedimento é realizado por meio de um cateter introduzido em uma artéria, geralmente na região do punho ou da virilha. Com auxílio de imagens, o especialista alcança os vasos responsáveis pela irrigação prostática e aplica pequenas partículas para diminuir o fluxo sanguíneo.
Com o passar do tempo, a redução da circulação pode provocar diminuição do volume da próstata e melhora dos sintomas.
A embolização não é indicada para todos os pacientes. A escolha depende do tamanho da próstata, da intensidade dos sintomas, das condições clínicas e dos resultados dos exames.
Nem todo paciente precisa de cirurgia
O tratamento da hiperplasia prostática benigna varia conforme a gravidade do quadro.
Nos casos leves, o urologista pode recomendar acompanhamento periódico e mudanças de hábitos, como reduzir o consumo de líquidos próximo ao horário de dormir e moderar bebidas que aumentam a produção de urina.
Quando os sintomas são mais intensos, medicamentos podem ajudar a relaxar a musculatura da próstata ou reduzir seu tamanho. Em determinadas situações, procedimentos cirúrgicos ou minimamente invasivos são considerados.
A escolha deve ser feita após avaliação individual, levando em conta os benefícios, riscos e preferências do paciente.
Quando procurar um urologista?
Homens que percebem mudanças persistentes no hábito de urinar devem procurar avaliação médica, mesmo quando não sentem dor.
O urologista poderá investigar os sintomas por meio de consulta clínica e, quando necessário, solicitar exames de urina, sangue, ultrassonografia e testes que avaliam o fluxo urinário.
A avaliação da próstata também poderá incluir exames específicos, de acordo com a idade, o histórico familiar e os fatores de risco.
Se houver incapacidade de urinar, febre associada a sintomas urinários ou dor intensa, o atendimento deve ser imediato.
Novembro Azul reforça a importância do cuidado
A campanha Novembro Azul chama atenção para a necessidade de os homens acompanharem a própria saúde e procurarem atendimento médico diante de alterações persistentes.
Além da prevenção e da investigação do câncer de próstata, o período também é uma oportunidade para falar sobre doenças benignas que afetam milhões de homens.
Na reportagem de Pedro Lacerda, exibida pelo programa Direto da Redação, o especialista Francisco César Carnevale explica como funciona a embolização e destaca a importância do diagnóstico adequado.
Reconhecer os sintomas, superar o constrangimento de falar sobre problemas urinários e buscar orientação profissional são medidas que podem evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.
*Da Agência Fonte Exclusiva