ONU cobra regras globais mais rígidas para inteligência artificial

Alto comissário para Direitos Humanos alerta que avanço acelerado da tecnologia pode trazer riscos à humanidade e ampliar concentração de poder.

ONU defende regras internacionais mais rígidas para inteligência artificial e alerta sobre riscos aos direitos humanos, à democracia, ao trabalho e à privacidade.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

O avanço acelerado da inteligência artificial exige uma resposta internacional mais rápida e coordenada para evitar riscos difíceis de controlar no futuro.

O alerta foi feito pelo alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, durante sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, nesta segunda-feira (7).

Türk afirmou que acompanha a preocupação manifestada por pesquisadores e especialistas sobre os possíveis impactos de sistemas de inteligência artificial cada vez mais avançados.

Segundo ele, determinadas tecnologias podem atingir um nível capaz de representar riscos de grandes proporções para a humanidade caso não existam mecanismos eficientes de controle.

Na avaliação do representante da ONU, o debate sobre regulamentação já ganhou espaço entre governos e organismos internacionais, mas as medidas concretas ainda avançam em ritmo inferior ao desenvolvimento das novas ferramentas.

Outro ponto destacado foi a concentração da capacidade tecnológica nas mãos de um número reduzido de grandes empresas. Türk chamou atenção para o poder exercido por companhias responsáveis por desenvolver sistemas de IA e administrar grandes volumes de informações pessoais.

Segundo ele, as discussões sobre liberdade no ambiente digital também precisam considerar questões relacionadas à coleta de dados, vigilância, privacidade e influência das plataformas sobre direitos fundamentais.

Regras internacionais e fiscalização independente

Entre as propostas defendidas pelo alto comissário está a criação de parâmetros internacionais comuns para o desenvolvimento e a utilização da inteligência artificial.

Türk também considera necessária a implantação de mecanismos independentes de fiscalização e verificação dos sistemas, além de maior cooperação entre os países envolvidos na produção de equipamentos, softwares e infraestrutura necessários ao funcionamento das tecnologias de IA.

A preocupação, segundo ele, não deve ficar restrita à capacidade técnica dos sistemas. Os efeitos da inteligência artificial sobre diferentes setores da sociedade também precisam fazer parte das avaliações realizadas por governos e empresas.

Impactos sobre trabalho e democracia

O representante das Nações Unidas citou possíveis consequências da expansão da inteligência artificial para o mercado de trabalho, a democracia, o meio ambiente e a proteção dos direitos humanos.

A rápida automação de atividades profissionais, o uso de sistemas capazes de influenciar a circulação de informações e a possibilidade de ampliação da vigilância digital estão entre os temas que vêm aumentando a pressão por novas regras.

Türk reconheceu que houve avanços recentes na discussão sobre governança da inteligência artificial. Organismos internacionais, governos e blocos econômicos passaram a desenvolver normas e estruturas específicas para acompanhar a evolução da tecnologia.

Apesar disso, ele considera que o atual ritmo das iniciativas ainda é insuficiente diante da velocidade das transformações provocadas pela IA.

Para o alto comissário, governos e empresas precisam acelerar a implementação de salvaguardas capazes de proteger a população. Ele também defendeu que a desconfiança demonstrada por parte da sociedade em relação à inteligência artificial seja levada em consideração no desenvolvimento e na aplicação dessas tecnologias.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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