O desenvolvimento de tecnologias próprias e a ampliação da capacidade científica do Brasil estão entre as propostas apresentadas por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) após a vitória no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em seu discurso, o presidente defendeu a criação de um sistema brasileiro de inteligência artificial (IA), com investimentos em educação, pesquisa e formação de profissionais especializados.
A proposta busca diminuir a dependência de soluções desenvolvidas no exterior, especialmente por empresas dos Estados Unidos e da China. Lula destacou a importância de fortalecer áreas como matemática e engenharia para preparar profissionais capazes de desenvolver sistemas e ferramentas tecnológicas nacionais.
Energia renovável pode favorecer centros de dados
Outro ponto destacado pelo presidente foi a capacidade brasileira de atrair centros de dados, estruturas responsáveis por armazenar, processar e distribuir grandes volumes de informações digitais.
A disponibilidade de energia renovável foi apontada como uma vantagem para atrair investimentos nesse setor. Lula também defendeu que parte da infraestrutura instalada no país seja utilizada para armazenar informações brasileiras.
A iniciativa se relaciona ao conceito de soberania digital, que envolve a proteção de dados, a segurança das informações e a capacidade de desenvolver tecnologias estratégicas sem depender integralmente de fornecedores estrangeiros.
Apesar do potencial energético, a instalação de grandes centros de dados depende de outros fatores, como conectividade, disponibilidade de infraestrutura, custos operacionais e segurança jurídica.
Economia digital entra na agenda de desenvolvimento
Durante o pronunciamento, Lula também mencionou as economias digital, verde e criativa como áreas relevantes para o crescimento do país. A proposta é ampliar a participação brasileira nas transformações tecnológicas e econômicas e fortalecer a presença nacional nas discussões internacionais.
A criação de uma inteligência artificial brasileira, porém, exige investimentos em pesquisa científica, capacidade computacional, infraestrutura de dados e qualificação profissional. Também será necessário desenvolver soluções competitivas e estabelecer regras para o uso seguro e responsável dessas tecnologias.
A implementação das propostas dependerá da definição de prioridades, da destinação de recursos e da articulação entre governo, universidades, centros de pesquisa e setor privado.
Novo mandato terá desafio de transformar propostas em ações
Com a vitória no segundo turno, Lula terá um novo período à frente da Presidência da República. Segundo os resultados informados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o petista recebeu 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) alcançou 48,21%.
A nova gestão terá o desafio de transformar os compromissos anunciados em programas, investimentos e políticas públicas. Na área tecnológica, o avanço dependerá da capacidade de ampliar a formação científica, fortalecer a pesquisa nacional e criar condições para que empresas brasileiras desenvolvam e utilizem tecnologias próprias.
*Da Agência Fonte Exclusiva
