Crise internacional: uso do Grok reacende debate sobre banimento do X no Reino Unido

Investigações apontam criação de imagens ilegais por IA e ampliam tensão entre autoridades e Elon Musk

Reguladores britânicos avaliam sanções e até o banimento do X diante de investigações sobre falhas no controle de conteúdo gerado por IA.

Imagem | Agência Brasil

O governo do Reino Unido elevou o tom contra a plataforma X, de Elon Musk, e passou a considerar medidas mais duras após denúncias de uso do chatbot de inteligência artificial Grok para a criação de deepfakes sexuais sem consentimento. Entre os conteúdos apontados estão imagens envolvendo mulheres e até material relacionado a abuso sexual infantil.

A secretária de Tecnologia do país, Liz Kendall, afirmou que o regulador britânico de comunicações, a Ofcom, poderá lançar mão de todos os instrumentos legais disponíveis, incluindo multas milionárias ou até a retirada da plataforma do ar em território britânico. Pela legislação vigente, as penalidades podem chegar a dezenas de milhões de libras, além de sanções operacionais severas.

O movimento do Reino Unido ocorre em meio a uma reação internacional crescente. A Indonésia anunciou o bloqueio temporário do Grok, tornando-se o primeiro país a restringir formalmente o acesso à ferramenta. Autoridades locais classificaram a produção de deepfakes sexuais não consensuais como uma grave violação de direitos humanos. França, Índia e Malásia também abriram investigações para apurar o uso da tecnologia.

Em resposta às críticas, Elon Musk adotou um discurso confrontacional. O bilionário acusou o governo britânico de autoritarismo e afirmou que há uma tentativa de censura disfarçada de regulação. Em publicações na própria rede X, Musk questionou prisões relacionadas a crimes digitais e atacou diretamente autoridades do Reino Unido.

Na tentativa de conter a crise, a empresa responsável pelo Grok restringiu parte das funcionalidades de geração e edição de imagens a usuários pagantes. A medida, no entanto, foi considerada insuficiente por autoridades britânicas, já que outros meios de acesso à ferramenta continuaram disponíveis. Para o governo, a limitação apenas transforma um problema grave em um serviço premium, sem resolver os riscos.

Organizações de proteção infantil também manifestaram preocupação. A Internet Watch Foundation informou ter identificado imagens de crianças entre 11 e 13 anos em fóruns da dark web, supostamente produzidas com o auxílio do Grok. Segundo a entidade, o material atende aos critérios legais para investigação criminal e representa um risco de normalização desse tipo de abuso por meio de ferramentas de IA.

Diante da gravidade das denúncias, a Ofcom iniciou uma análise acelerada do caso. O regulador pode, com aval judicial, determinar que empresas de pagamento, anunciantes e provedores de internet interrompam qualquer vínculo com a plataforma, o que, na prática, resultaria em um banimento do serviço no país.

A escalada do conflito também gerou repercussões políticas fora da Europa. Nos Estados Unidos, a deputada Anna Paulina Luna declarou que pode propor sanções contra autoridades britânicas caso o bloqueio do X se concretize, ampliando o embate diplomático em torno da regulação de inteligência artificial e redes sociais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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