No ambiente de microgravidade do espaço, até as funções mais básicas do corpo humano exigem soluções tecnológicas complexas.
Sem a ação da gravidade, os resíduos não podem ser descartados como na Terra, o que obriga astronautas a utilizarem sistemas especializados de sucção e armazenamento dentro de naves e estações orbitais.
De acordo com o físico do Planetário da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Gabriel Resende, o funcionamento dos chamados “banheiros espaciais” depende de mecanismos que sugam urina e fezes, evitando que os dejetos fiquem soltos no ambiente da nave.
Em missões mais recentes, como a Programa Artemis II, a NASA investiu no desenvolvimento de sistemas sanitários mais avançados, projetados para garantir maior eficiência e segurança no uso diário pelos astronautas.
Esses equipamentos incluem estruturas que permitem ao tripulante se fixar durante o uso, além de sistemas com funis e tubos que direcionam os resíduos para compartimentos separados de armazenamento.
A urina e as fezes são coletadas de forma distinta e permanecem armazenadas até o retorno da nave à Terra ou até sua destinação adequada.
Segundo especialistas, a tecnologia passou por uma evolução significativa desde as primeiras missões espaciais das décadas de 1960 e 1970, quando os métodos eram mais rudimentares e baseados no uso de sacos plásticos para coleta manual.
Com o avanço das missões de longa duração, especialmente na Estação Espacial Internacional (ISS), os sistemas se tornaram mais sofisticados.
Hoje, parte da urina coletada passa por processos de filtragem e descontaminação, sendo transformada em água reutilizável após tratamento rigoroso.
Já as fezes são armazenadas separadamente e descartadas em cápsulas que reentram na atmosfera terrestre, onde são destruídas pelo calor durante a reentrada.
O sistema é considerado essencial para a sobrevivência de missões prolongadas, nas quais praticamente nada pode ser desperdiçado.
*Da Agência Fonte Exclusiva
