Cientistas criam detector que verifica medicamentos sem abrir a embalagem

Equipamento desenvolvido na Rússia mede sinais emitidos por nanopartículas e pode identificar produtos degradados ou falsificados.

Detector criado por cientistas russos pode ajudar a identificar medicamentos degradados, falsificados ou fora dos padrões.

📸Arte/Agência Fonte Exclusiva

Pesquisadores da Universidade da Amizade dos Povos Patrice Lumumba da Rússia, conhecida internacionalmente como Universidade RUDN, desenvolveram um detector portátil capaz de avaliar o estado de conservação de determinados medicamentos sem romper o lacre da embalagem.

A tecnologia mede a emissão radiotérmica de nanopartículas biologicamente ativas presentes em algumas formulações farmacêuticas. De acordo com os pesquisadores, a intensidade do sinal diminui à medida que o produto se degrada ou se aproxima do fim do prazo de validade.

A leitura é realizada através da embalagem fechada, sem contato direto com o medicamento e sem a necessidade de reagentes químicos. Segundo a universidade, o equipamento portátil pode registrar o sinal em poucos segundos. :contentReference[oaicite:1]{index=1}

Como funciona a tecnologia

O método utiliza um princípio físico segundo o qual substâncias emitem radiação eletromagnética térmica. No caso analisado pelos cientistas, nanopartículas com estruturas complexas apresentaram um sinal específico, cuja intensidade variou conforme o estado de conservação do produto.

Os experimentos foram realizados com ingredientes farmacêuticos biologicamente ativos, incluindo interferons, enzimas, anticorpos e vacinas produzidas à base de proteínas.

Nos testes, amostras conservadas adequadamente apresentaram sinais diferentes daqueles registrados em produtos degradados ou submetidos a condições adversas de temperatura. Os estudos indicaram que a emissão pode servir como parâmetro complementar para verificar a estabilidade de medicamentos que contêm nanopartículas. :contentReference[oaicite:2]{index=2}

Alternativa aos testes tradicionais

Atualmente, diversas análises de estabilidade exigem a abertura da embalagem e a retirada de uma amostra. O material precisa ser submetido a reagentes e equipamentos laboratoriais, processo que pode ser demorado, elevar custos e inutilizar o produto examinado.

Gleb Petrov, professor associado do Departamento de Química Farmacêutica e Toxicológica da RUDN, destacou que o prazo de validade não deve ser tratado apenas como uma informação burocrática.

Segundo o pesquisador, a degradação pode reduzir a eficácia do medicamento e provocar alterações na composição química. O detector busca oferecer uma análise não destrutiva, permitindo que o produto permaneça lacrado durante a inspeção.

Combate a medicamentos falsificados

A tecnologia também poderá ser utilizada como ferramenta auxiliar na identificação de medicamentos falsificados ou produzidos fora dos padrões estabelecidos.

O sinal obtido pelo detector pode ser comparado com parâmetros previamente registrados para o medicamento original. Diferenças relevantes poderão indicar problemas de conservação, composição ou fabricação.

A possibilidade abre caminho para o uso do equipamento em indústrias farmacêuticas, farmácias, centros de distribuição e áreas de fiscalização alfandegária. A RUDN afirma que equipamentos e métodos relacionados à pesquisa já foram adquiridos por empresas do setor farmacêutico para utilização em linhas de produção. Os nomes das companhias não foram informados. :contentReference[oaicite:3]{index=3}

Pesquisas publicadas

A base científica do método foi apresentada em um artigo publicado em março de 2023 na revista Pharmaceutics. O estudo analisou a emissão radiotérmica de nanopartículas com formatos complexos e avaliou sua aplicação no controle de qualidade de produtos farmacêuticos.

Os autores concluíram que a técnica possui potencial para controlar a estabilidade de medicamentos com nanopartículas, principalmente vacinas e anticorpos. O trabalho também ressaltou a necessidade de novas etapas de validação para diferentes formulações. :contentReference[oaicite:4]{index=4}

Uma pesquisa posterior, publicada em 2024, aprofundou a análise do método aplicado a preparações imunobiológicas. O estudo relatou a possibilidade de realizar o controle da emissão radiotérmica sem abrir a embalagem original, considerada uma das principais vantagens da tecnologia. :contentReference[oaicite:5]{index=5}

Tecnologia ainda tem limitações

Apesar do potencial, o detector não deve ser apresentado como uma ferramenta capaz de avaliar todos os medicamentos disponíveis no mercado.

Os estudos concentram-se em produtos que contêm nanopartículas biologicamente ativas, como determinados imunobiológicos, anticorpos e vacinas proteicas. A eficiência do método precisa ser validada separadamente para cada categoria de medicamento, composição e tipo de embalagem.

A tecnologia também não substitui, neste momento, todas as análises laboratoriais exigidas pelas autoridades sanitárias. O equipamento poderá atuar como uma ferramenta complementar de triagem e controle de qualidade, principalmente em ambientes industriais.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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