Células-tronco reprogramadas curam cegueira de córnea pela primeira vez

Técnica inédita aplicada por cientistas japoneses devolveu a visão a pacientes usando células da pele reprogramadas em laboratório.

Japão realiza o primeiro tratamento de cegueira de córnea com células-tronco reprogramadas. Procedimento recupera a visão sem necessidade de doador.

Imagem: ilustração/canvas

Pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, alcançaram um marco inédito na medicina regenerativa: curaram a cegueira de córnea em pacientes utilizando células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). A técnica representa a primeira vez em que esse tipo de célula, criada a partir de células adultas reprogramadas, é usada com sucesso para restaurar a visão humana.

A córnea é a camada mais externa e transparente dos olhos. Quando danificada, pode causar perda total da visão. O transplante convencional depende de doadores humanos, mas a nova abordagem pode eliminar essa necessidade no futuro.

Como foi feito o tratamento?

O procedimento envolveu várias etapas inovadoras:

  1. Coleta de células da pele de doadores saudáveis.
  2. Reprogramação genética dessas células para que se tornassem pluripotentes — ou seja, com capacidade de se transformar em qualquer tipo celular.
  3. Indução para virar células epiteliais da córnea, cultivadas em laboratório até formar um tecido fino e funcional.
  4. Implante no olho dos pacientes, substituindo a camada danificada da córnea.

Resultados animadores

Os primeiros pacientes tratados apresentaram melhora significativa da visão poucas semanas após o implante. Segundo os cientistas, não houve sinais de rejeição, e os testes clínicos iniciais indicam segurança e eficácia.

“Nosso objetivo é oferecer uma alternativa real para pessoas que aguardam transplantes de córnea ou que não são elegíveis para eles”, explicou o professor Kohji Nishida, líder da pesquisa.

O que são células iPS?

As células-tronco pluripotentes induzidas (iPS) foram desenvolvidas em 2006 pelo cientista Shinya Yamanaka, também japonês e vencedor do Nobel. A tecnologia permite transformar células adultas comuns, como as da pele, em células semelhantes às embrionárias — sem destruir embriões humanos.

Isso representa uma solução promissora tanto do ponto de vista ético quanto médico, pois essas células podem ser usadas para regenerar tecidos danificados em diversas partes do corpo.

Futuro da medicina regenerativa

O sucesso no tratamento da córnea pode abrir caminho para novas terapias com células iPS, inclusive para doenças neurológicas, cardíacas e outras condições degenerativas. A equipe japonesa já prepara estudos clínicos com mais pacientes, e empresas de biotecnologia acompanham de perto o avanço.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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