Cães-robôs que “defecam” NFTs ironizam poder de bilionários da tecnologia

Obra de Beeple mistura grotesco e high-tech ao usar rostos hiper-realistas de Musk, Bezos e Zuckerberg em performance sobre saturação digital.

Performance com robôs e rostos de bilionários provoca debate sobre algoritmos e cultura digital

Imagem: redes sociais

Robôs caninos com cabeças hiper-realistas de Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zuckerberg chamaram atenção na feira Zero 10, onde circularam tirando fotos e expelindo esses registros como NFTs, em uma performance que ironiza o poder dos bilionários da tecnologia e o frenesi do mercado digital.

As criaturas fazem parte da coleção Regular Animals, do artista digital Beeple, conhecido pelas críticas ácidas ao universo das big techs, da inteligência artificial e da criptoespeculação. As versões apresentadas também incluíam cabeças inspiradas nos artistas Pablo Picasso e Andy Warhol, reforçando o contraste entre a arte pop, a cultura contemporânea e o domínio das plataformas digitais.

Robôs produzindo e “expelindo” conteúdo

Durante o evento, os robôs percorriam o espaço registrando imagens dos visitantes. As fotos eram transformadas instantaneamente em NFTs e liberadas pelo equipamento de forma cênica, como se fossem “excrementos”.

A estética grotesca é parte da crítica: segundo Beeple, a obra reflete o modo como bilionários que lideram gigantes de tecnologia “controlam os algoritmos que decidem o que vemos”, ao mesmo tempo em que transformam qualquer tipo de produção digital em mercadoria de alto valor.

O contraste entre a sofisticação tecnológica e a representação de um ato fisiológico cria uma metáfora direta sobre a saturação de conteúdos digitais despejados diariamente nas redes.

Arte, especulação e mercado

Cada cachorro‑robô foi vendido por US$ 100 mil, reforçando a provocação do artista ao mercado de criptoarte, marcado por picos de valorização, colapsos e obras milionárias. Beeple, que já vendeu um NFT por US$ 69 milhões em 2021, volta a explorar os excessos e contradições desse ambiente.

A escolha por Musk, Bezos e Zuckerberg — figuras que lideram empresas como Tesla, Amazon e Meta — simboliza o peso que suas decisões têm sobre:

A performance sugere que o conteúdo produzido e distribuído por essas plataformas, embora envolto em high‑tech, é muitas vezes repetitivo, descartável ou guiado apenas pelo lucro.

A instalação dividiu o público da feira. Alguns visitantes elogiaram a crítica direta ao modelo de negócios das big techs e à transformação de experiências digitais em produtos especulativos. Outros viram a obra como uma provocação calculada que se aproveita do próprio mercado que critica.

Independentemente da interpretação, a apresentação cumpriu o objetivo de Beeple: gerar desconforto, debate e reflexão sobre tecnologia, poder e cultura digital em um momento de crescente influência da inteligência artificial e dos algoritmos sobre a vida cotidiana.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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