Brasil terá supercomputador de R$ 1 bilhão para ampliar infraestrutura de inteligência artificial

Sistema previsto para o Rio Grande do Norte deverá alcançar 7,2 mil petaflops e faz parte de plano para ampliar a autonomia tecnológica do país.

Brasil anuncia supercomputador de R$ 1 bilhão no Rio Grande do Norte para ampliar infraestrutura de inteligência artificial e fortalecer a autonomia tecnológica.

Imagem: Reprodução/ Ricardo Stuckert/PR/ Via RT

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (20) um conjunto de medidas para ampliar a infraestrutura brasileira de inteligência artificial (IA) e diminuir a dependência de serviços de processamento e armazenamento de dados instalados no exterior.

Entre os principais projetos está a construção de um novo sistema de supercomputação no Rio Grande do Norte, com investimento estimado em cerca de R$ 1 bilhão. A estrutura será instalada no Parque Tecnológico Augusto Severo (PAX).

A previsão é que o equipamento alcance aproximadamente 7,2 mil petaflops de capacidade de processamento. De acordo com as projeções apresentadas pelo governo, o sistema poderá ficar entre os dez maiores do mundo voltados a aplicações de inteligência artificial.

Supercomputador será usado por universidades e empresas

O projeto pretende disponibilizar a infraestrutura para diferentes setores, incluindo universidades, centros de pesquisa, empresas, órgãos públicos e a comunidade científica.

A proposta é ampliar a capacidade nacional para desenvolver, treinar e executar modelos de inteligência artificial de grande escala sem depender exclusivamente de estruturas localizadas em outros países.

Além do processamento, a estratégia busca manter no Brasil uma parcela maior dos dados e dos conhecimentos produzidos por pesquisas e projetos considerados estratégicos.

Rio de Janeiro também terá estrutura de supercomputação

Outra iniciativa de supercomputação está prevista para o Rio de Janeiro. O projeto deverá ser conduzido pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com empresas chinesas Huawei e iFlytek.

A estrutura terá como uma de suas prioridades o desenvolvimento de modelos de linguagem de uso geral e de aplicações de inteligência artificial direcionadas a setores específicos.

As duas iniciativas fazem parte de uma estratégia mais ampla, que prevê investimentos em pesquisa, desenvolvimento tecnológico, transferência de conhecimento e formação de profissionais.

Governo aposta em chips de arquitetura aberta

O plano também inclui uma frente voltada ao desenvolvimento de tecnologias baseadas na arquitetura aberta RISC-V. A iniciativa será desenvolvida em cooperação com a Espanha.

A tecnologia é utilizada no desenvolvimento de processadores e outros componentes eletrônicos. O objetivo é ampliar o domínio brasileiro sobre etapas consideradas estratégicas da cadeia de produção tecnológica.

Outra medida prevista é a criação da chamada Nuvem Brasileira, voltada ao armazenamento e processamento nacional de dados.

A proposta prevê a utilização de padrões abertos e interoperáveis para ampliar a integração entre sistemas e reduzir a dependência de infraestruturas estrangeiras.

Transparência de sistemas de inteligência artificial

O conjunto de medidas também inclui ações para ampliar a transparência no funcionamento de sistemas de inteligência artificial.

A iniciativa prevê o desenvolvimento de ferramentas e competências para avaliar algoritmos, identificar possíveis riscos e vieses e tornar os processos automatizados mais compreensíveis.

A intenção é aumentar a capacidade nacional de acompanhar o funcionamento dessas tecnologias e avaliar seus impactos em diferentes aplicações.

Plano prevê 8 mil capacitações

A formação de profissionais também integra a estratégia anunciada pelo governo.

As duas frentes de supercomputação previstas têm a meta de promover aproximadamente 8 mil capacitações ao longo de cinco anos.

A expectativa é combinar a expansão da infraestrutura com investimentos em pesquisa, desenvolvimento e transferência tecnológica.

Com as iniciativas, o governo pretende ampliar não apenas o acesso brasileiro a recursos de computação de alto desempenho, mas também a capacidade de desenvolver, treinar e operar sistemas avançados de inteligência artificial no próprio país.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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