Vitamina B12 entra no radar da ciência em estudos sobre possíveis sinais de câncer

Evidências apontam associações estatísticas entre níveis do nutriente e alguns tipos de câncer, mas sem confirmação de causa direta.

Estudos científicos analisam a relação entre vitamina B12 e câncer e indicam possíveis associações, mas sem comprovação de causalidade.

📸Reprodução/Gettyimages.ru / Riska Via RT

A vitamina B12, ou cobalamina, é um nutriente indispensável para o funcionamento do organismo humano.

Ela atua em processos fundamentais como a formação de glóbulos vermelhos, a preservação do sistema nervoso e a síntese e reparação do DNA, sendo considerada vital para o equilíbrio celular.

Esse composto é obtido principalmente por meio de alimentos de origem animal, como carnes, ovos, leite, queijos e peixes. Também pode ser encontrado em produtos fortificados.

Em geral, uma alimentação equilibrada é suficiente para suprir as necessidades diárias, embora pessoas veganas, idosos e indivíduos com problemas de absorção intestinal possam necessitar de suplementação.

Nos últimos anos, a vitamina B12 passou a ser alvo de investigações científicas que buscam compreender sua relação com diferentes condições de saúde, incluindo o câncer. A atenção dos pesquisadores se deve ao fato de que esse nutriente está diretamente envolvido na divisão e no crescimento celular.

Alguns estudos sugerem que tanto a deficiência quanto níveis muito elevados de B12 podem estar associados a riscos aumentados de doenças, incluindo determinados tipos de câncer, como o de cólon.

Uma pesquisa realizada no Vietnã em 2025 identificou um padrão em formato de “U”, no qual tanto valores baixos quanto altos de B12 apareceram ligados a maior incidência da doença.

No entanto, os próprios autores reforçam que esses resultados indicam apenas associação estatística, sem estabelecer relação de causa e efeito.

Especialistas explicam que a vitamina participa de mecanismos gerais de crescimento celular, o que levanta hipóteses de que quantidades excessivas poderiam, em teoria, influenciar o desenvolvimento de células já alteradas. Ainda assim, essa possibilidade não foi comprovada em seres humanos.

Outro ponto investigado é que níveis elevados de vitamina B12 no sangue podem não ser a causa de doenças, mas sim uma consequência delas.

Pesquisas publicadas entre 2022 e 2024 indicam que muitos pacientes com câncer apresentam aumento dessa vitamina, o que pode ocorrer devido a alterações no fígado ou no metabolismo de proteínas transportadoras do nutriente.

Um estudo mais recente, divulgado em 2026, observou que pacientes com câncer de cólon e níveis muito altos de B12 tiveram menor tempo médio de sobrevida em comparação com aqueles que apresentavam níveis considerados normais.

Resultados semelhantes também foram registrados em casos de câncer oral e em pacientes submetidos à imunoterapia.

Apesar dessas observações, os pesquisadores alertam que níveis persistentemente elevados de vitamina B12 podem funcionar como um possível marcador de alerta para doenças hepáticas, alterações hematológicas ou até mesmo tumores ainda não diagnosticados.

Por outro lado, especialistas reforçam que a deficiência de vitamina B12 continua sendo um problema muito mais comum e clinicamente relevante do que o excesso. Eles destacam ainda que, na maioria dos casos, não é possível atingir níveis excessivos apenas pela alimentação.

No consenso médico atual, a prevenção do câncer está mais relacionada a fatores como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, não fumar e acompanhamento médico periódico, do que ao consumo isolado de nutrientes específicos.

*Da Agência Fonte Exclusiva

Sair da versão mobile