Uso intenso de smartphones pode alterar funcionamento do cérebro, indica revisão científica

Análise de 10 anos de estudos em neuroimagem aponta impactos em áreas ligadas a decisões, emoções e controle de impulsos.

Revisão de 35 estudos revela que o uso excessivo de smartphones pode provocar mudanças na estrutura e no funcionamento do cérebro, afetando emoções, autocontrole e tomada de decisões.

Imagem: Reprodução/ Andrew Brookes / Gettyimages.ru Via RT

Um conjunto recente de evidências científicas reforça a preocupação com o uso exagerado de smartphones e seus possíveis efeitos no cérebro humano.

Uma revisão que reuniu pesquisas realizadas ao longo de uma década sugere que a interação intensa com esses dispositivos pode influenciar diretamente processos cognitivos e emocionais.

O levantamento considerou 35 estudos de neuroimagem conduzidos entre janeiro de 2015 e abril de 2025. O objetivo foi identificar como o uso frequente e desregulado de smartphones se relaciona com alterações nos padrões de atividade cerebral.

A análise identificou semelhanças relevantes entre indivíduos com sinais de comportamento considerado problemático.

Entre os principais achados, três sistemas cerebrais aparecem como os mais afetados: o circuito de recompensas, o sistema de controle executivo e os mecanismos de regulação emocional.

Essas estruturas são essenciais para funções como tomada de decisão, gerenciamento de impulsos e resposta a estímulos do ambiente.

Os dados também indicam mudanças físicas no cérebro. Pesquisas estruturais apontaram redução de massa cinzenta em áreas como o córtex insular, o córtex cingulado anterior e o córtex orbitofrontal.

Essas regiões estão associadas à percepção interna, avaliação de recompensas e controle comportamental — funções diretamente estimuladas pelo uso constante de notificações e interações digitais.

Outro ponto relevante envolve a substância branca, responsável por conectar diferentes regiões do cérebro.

Alterações nas ligações entre os lobos frontais e o sistema límbico sugerem possíveis impactos na forma como emoções e recompensas são processadas, o que pode influenciar comportamentos repetitivos.

Os pesquisadores também investigaram os fatores que tornam os smartphones tão atraentes. Um dos elementos centrais é a dimensão social dessas plataformas.

Além de ferramentas de comunicação, os dispositivos funcionam como ambientes de interação contínua, oferecendo respostas rápidas como curtidas, mensagens e notificações.

Esse retorno imediato pode incentivar padrões de uso frequente, especialmente em pessoas mais sensíveis à validação social.

O chamado medo de ficar de fora, associado à necessidade constante de conexão, aparece como um fator que contribui para o aumento do tempo de uso.

Apesar dos avanços, os especialistas destacam que ainda existem lacunas na compreensão do tema, principalmente no que diz respeito às interações sociais mediadas pela tecnologia.

Segundo os autores, essa dimensão ainda precisa ser mais explorada em futuras pesquisas.

A revisão aponta para a importância de aprofundar os estudos sobre os efeitos do uso prolongado de smartphones, especialmente diante da presença cada vez maior desses dispositivos no cotidiano.

Os resultados sugerem que os impactos podem ir além de mudanças comportamentais, alcançando também a estrutura e o funcionamento do cérebro.

*Da Agência Fonte Exclusiva.

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