Réveillon: Saúde alerta para riscos de pomadas modeladoras após aumento de lesões oculares

Rede municipal registrou alta de quase 90% nos atendimentos por irritação e queimaduras oculares

Uso de pomadas de cabelo provoca centenas de atendimentos por lesões nos olhos às vésperas do Réveillon no Rio.

Imagem | Divulgação

Com a aproximação do Réveillon, a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro emitiu um alerta sobre os riscos associados ao uso de pomadas modeladoras de cabelo. Entre os dias 25 e 28 de dezembro, a rede municipal de urgência e emergência registrou 472 atendimentos relacionados a lesões oculares provocadas pelo contato do produto com os olhos.

Segundo a pasta, a média diária de atendimentos nesse período chegou a 118 casos, quase o dobro do registrado nas semanas anteriores ao Natal, quando o número girava em torno de 62 ocorrências por dia. O aumento representa uma alta de aproximadamente 90% na demanda por atendimento médico relacionada a esse tipo de lesão.

O crescimento dos casos começou a ser observado já no dia de Natal e se intensificou ao longo do fim de semana. Aproximadamente 30% dos pacientes atendidos eram crianças e adolescentes. Entre os sintomas mais comuns estão coceira, vermelhidão, ardência, irritação e inchaço nos olhos. Em situações mais graves, os pacientes relataram visão turva e dificuldade para enxergar.

As pomadas modeladoras são amplamente utilizadas em datas festivas, como Natal, Ano Novo e Carnaval, principalmente para fixação de tranças e penteados. O risco surge quando o cabelo entra em contato com água, suor ou chuva, fazendo com que o produto escorra para os olhos. Nessas situações, podem ocorrer quadros de ceratite química, conjuntivite e até queimaduras na córnea, com possibilidade de cegueira temporária.

O oftalmologista Vitor Cerqueira, do Hospital Municipal Souza Aguiar — referência em emergências oftalmológicas — explica que o problema está, principalmente, no uso de produtos que não possuem registro ou controle de órgãos reguladores, como a Anvisa.

“São produtos com composição química variada e sem fiscalização adequada. Muitos fabricantes não seguem padrões claros. Apesar disso, há uma característica comum: essas pomadas derretem facilmente em contato com líquidos, inclusive suor, o que facilita o escoamento para os olhos e provoca as lesões”, afirma o médico.

O especialista reforça que a principal forma de prevenção é evitar o uso de produtos não regulamentados. Caso a pessoa já tenha utilizado a pomada, a recomendação é lavar os cabelos com cuidado, evitando que a água escorra para o rosto. Também é importante evitar chuva, banho de mar ou piscina, especialmente em dias de calor intenso.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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