Proposta de renovação automática da CNH sem exame médico gera reação de entidades de saúde

Medida provisória em análise no Congresso é criticada por médicos, que alertam para riscos à segurança no trânsito.

Proposta que permite renovar a CNH sem exame médico gera críticas de entidades de saúde, que alertam para riscos de acidentes e impacto no SUS.

Imagem: Reprodução/ Marcello Casal JrAgência Brasil

Uma medida provisória que altera as regras para renovação da carteira de motorista no Brasil começou a ser debatida no Congresso Nacional e já enfrenta forte resistência de entidades médicas.

O texto prevê a possibilidade de renovação automática da CNH, sem a exigência de exames periódicos de aptidão física e mental.

A proposta está sendo analisada por uma comissão especial instalada nesta terça-feira (7), sob a presidência do deputado Luciano Amaral, com relatoria do senador Renan Filho.

A medida altera pontos do Código de Trânsito Brasileiro e também amplia as regras para emissão digital do documento.

A iniciativa provocou reação de mais de 35 organizações da área da saúde, lideradas pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego.

Em manifesto conjunto, as entidades alertam que a retirada da obrigatoriedade dos exames pode comprometer a prevenção de acidentes.

Segundo os especialistas, a capacidade de conduzir veículos pode ser afetada ao longo do tempo por doenças crônicas, uso de medicamentos e alterações cognitivas e motoras.

Condições como diabetes, doenças cardíacas, epilepsia e distúrbios neurológicos estão entre os fatores que podem impactar diretamente a segurança no trânsito, mas que não são identificados por sistemas de fiscalização.

Atualmente, a avaliação médica é considerada o principal mecanismo para detectar essas limitações.

Para as entidades, a flexibilização pode aumentar riscos tanto para motoristas quanto para pedestres.

O texto da medida provisória estabelece que a renovação automática será válida para condutores inscritos no Registro Nacional Positivo de Condutores (RNPC), programa que reúne motoristas sem infrações.

Além disso, permite que exames sejam realizados por médicos e psicólogos sem vínculo com autoescolas.

A proposta, no entanto, prevê algumas restrições. Motoristas com 70 anos ou mais continuam obrigados a realizar exames periódicos. J

á condutores a partir de 50 anos terão direito a apenas uma renovação automática. Pessoas com restrições médicas também permanecem sujeitas às avaliações obrigatórias.

Dados apresentados pela Abramet reforçam o debate. Em 2024, o Brasil registrou mais de 38 mil mortes no trânsito e cerca de 285 mil internações.

Os custos diretos ao sistema público de saúde chegaram a aproximadamente R$ 400 milhões, sem considerar despesas com reabilitação e benefícios previdenciários.

O tema segue em discussão no Congresso e deve envolver análises técnicas sobre os impactos da medida na segurança viária e na saúde pública, antes de uma decisão final.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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