Pesquisa revela aumento do sofrimento emocional entre adolescentes no Brasil

Levantamento do IBGE aponta altos índices de tristeza, automutilação e falta de apoio psicológico entre jovens de 13 a 17 anos.

Pesquisa do IBGE mostra que 3 em cada 10 adolescentes brasileiros relatam tristeza frequente e pensamentos de automutilação. Dados acendem alerta para saúde mental.

Imagem: Reprodução/Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um levantamento recente aponta um cenário preocupante para a saúde mental de adolescentes no Brasil.

Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, indicam que uma parcela significativa de jovens enfrenta sofrimento emocional recorrente.

Segundo o estudo, três em cada dez estudantes entre 13 e 17 anos afirmam sentir tristeza na maior parte do tempo ou de forma constante. Percentual semelhante relatou já ter tido vontade de se machucar intencionalmente.

A pesquisa ouviu mais de 118 mil alunos de escolas públicas e privadas em todo o país em 2024, sendo considerada representativa da realidade nacional.

Outros dados reforçam o alerta: 42,9% dos adolescentes disseram se sentir frequentemente irritados ou nervosos, enquanto 18,5% relataram pensamentos recorrentes de que a vida não vale a pena. Além disso, cerca de um quarto dos estudantes afirmou sentir que não recebe atenção ou cuidado de outras pessoas.

O levantamento também mostra diferenças relevantes entre meninos e meninas. Entre as alunas, os índices são mais elevados: 41% relataram tristeza frequente, contra 16,7% dos meninos. Já a vontade de se machucar foi mencionada por 43,4% das meninas, mais que o dobro do registrado entre os rapazes.

A pesquisa indica ainda que aproximadamente 100 mil estudantes tiveram episódios de lesão autoprovocada no período analisado. Entre esses jovens, os níveis de sofrimento emocional são ainda mais intensos, com maior incidência de tristeza constante, irritação e sensação de falta de propósito.

Outro ponto crítico destacado pelo estudo é a limitação no acesso a apoio psicológico nas escolas. Menos da metade dos alunos conta com algum tipo de atendimento, sendo a oferta mais ampla na rede privada.

A presença de profissionais especializados também é restrita, alcançando pouco mais de um terço dos estudantes.

O ambiente familiar e social também influencia diretamente o bem-estar dos adolescentes. Parte significativa relatou não se sentir compreendida pelos responsáveis, enquanto cerca de 20% disseram ter sofrido agressões físicas dentro de casa no último ano.

Em relação ao bullying, mais de um quarto dos estudantes afirmou ter sido alvo de episódios frequentes, com maior incidência entre meninas. A aparência física aparece entre os principais fatores associados às agressões.

Diante dos dados, especialistas reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas à saúde mental de jovens e fortalecer redes de apoio dentro e fora das escolas.

O Ministério da Saúde orienta que adolescentes e familiares busquem ajuda sempre que necessário, seja com pessoas de confiança ou em serviços especializados, como os Centros de Atenção Psicossocial, unidades básicas de saúde e o Centro de Valorização da Vida, que oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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