Pesquisa destaca importância de incluir populações diversas em estudos sobre autismo

Cientistas reforçam necessidade de ampliar investigações globais

Resultados indicam padrões genéticos semelhantes entre ancestralidades.

Imagem | Divulgação

Um estudo genético de grande escala identificou que os principais genes associados ao risco de autismo aparecem de forma semelhante entre diferentes ancestralidades. A pesquisa, publicada na revista científica Nature Medicine, analisou dados de milhares de pessoas latino-americanas, ampliando o conhecimento sobre a base biológica do transtorno do espectro autista (TEA).

O trabalho foi conduzido por pesquisadores ligados à Icahn School of Medicine at Mount Sinai, por meio do consórcio Genomics of Autism in Latinx Ancestries (GALA). Foram avaliados dados de sequenciamento genético de mais de 15 mil indivíduos latino-americanos, incluindo cerca de 4.700 pessoas diagnosticadas com autismo.

Os cientistas identificaram 35 genes com associação estatística relevante ao risco de autismo, observando uma ampla correspondência com genes já descritos em estudos realizados principalmente com populações de ancestralidade europeia. Os resultados sugerem que os fatores genéticos envolvidos no transtorno apresentam grande consistência entre diferentes grupos populacionais.

O estudo incluiu participantes de diversas regiões, como Brasil, México, Colômbia, Costa Rica e Peru, além de comunidades latino-americanas residentes nos Estados Unidos. Essa diversidade permitiu avaliar a presença de variantes genéticas em populações com diferentes origens, incluindo ancestralidade indígena, africana, europeia e asiática.

Segundo os pesquisadores, ampliar a diversidade nas pesquisas genéticas é fundamental para reduzir desigualdades no acesso a diagnósticos e tratamentos. Historicamente, grande parte dos estudos genômicos foi realizada com predominância de participantes europeus, o que pode limitar a precisão de testes genéticos aplicados a outros grupos populacionais.

Os resultados indicam que os painéis genéticos atualmente utilizados para investigação do autismo podem ser aplicados de forma mais abrangente, contribuindo para diagnósticos mais precisos em diferentes populações. Ainda assim, especialistas destacam que novas pesquisas são necessárias para aprofundar o entendimento das variações genéticas associadas ao transtorno.

O avanço da pesquisa genômica em grupos sub-representados é considerado essencial para ampliar o conhecimento científico e promover maior equidade no acesso a ferramentas diagnósticas e terapêuticas relacionadas ao autismo.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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