“Orelhas de Ozempic”: perda rápida de peso com GLP-1 pode alterar aparência dos lóbulos

Especialistas explicam que a redução acelerada de gordura corporal pode deixar os lóbulos das orelhas mais finos, flácidos e alongados, sem afetar a audição.

Medicamentos GLP-1 usados no diabetes e emagrecimento podem causar mudanças estéticas nos lóbulos das orelhas, fenômeno chamado de “orelhas de Ozempic”.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

A perda de peso rápida associada ao uso de medicamentos da classe GLP-1, indicados para o tratamento do diabetes e também utilizados em protocolos de emagrecimento, tem chamado atenção por efeitos que vão além da balança.

Entre as mudanças observadas por especialistas em medicina estética está um fenômeno que ganhou o apelido de “orelhas de Ozempic”.

A expressão passou a ser usada para descrever alterações nos lóbulos das orelhas após uma redução acelerada de gordura corporal.

Segundo médicos, os remédios dessa classe podem favorecer a perda de gordura em diferentes regiões do organismo, incluindo áreas pequenas e sensíveis, como os depósitos de gordura presentes nos lóbulos.

Com a diminuição desse volume, os lóbulos podem apresentar aparência mais fina, alongada, flácida ou murcha.

O efeito tende a ser mais evidente em pessoas que emagrecem em pouco tempo ou em pacientes mais velhos, já que a pele, com o passar dos anos, costuma ter menor capacidade de retração.

O cirurgião plástico facial Sachin S. Parikh, da Califórnia, nos Estados Unidos, explicou que as semaglutidas podem contribuir para a perda de gordura em todo o corpo, inclusive nos coxins gordurosos dos lóbulos das orelhas.

Ele ressaltou, no entanto, que esses medicamentos não provocam lesão no tecido da orelha nem interferem na audição. Quando indicado, o tratamento tem finalidade exclusivamente estética.

De acordo com especialistas, as chamadas “orelhas de Ozempic” seguem a mesma lógica de outras alterações corporais observadas após emagrecimento expressivo.

Quando a gordura é reduzida rapidamente, a pele nem sempre acompanha a mudança de volume no mesmo ritmo, o que pode resultar em flacidez, rugas e perda de sustentação.

O médico Mohammed Asif, dos Serviços de Saúde e Assistência Médica de Naperville, nos Estados Unidos, afirmou que essas mudanças podem estar relacionadas ao processo de emagrecimento obtido durante o tratamento com medicamentos GLP-1.

Mesmo quando a perda de peso ocorre de maneira gradual, a redução de gordura em algumas regiões pode modificar o aspecto da pele e dos tecidos.

Para pessoas incomodadas com a alteração estética, há alternativas minimamente invasivas e cirúrgicas.

Entre as opções citadas por médicos estão os preenchedores dérmicos à base de ácido hialurônico, usados para devolver volume aos lóbulos, e os enxertos de gordura retirados do próprio paciente.

Também podem ser indicados tratamentos com tecnologias voltadas ao estímulo da firmeza da pele, como lasers não ablativos e radiofrequência. Em situações mais acentuadas, a correção pode envolver cirurgia para remodelar ou reduzir os lóbulos.

O fenômeno se soma a outros efeitos estéticos associados à perda de peso com medicamentos GLP-1, como mudanças no contorno do rosto, flacidez nos seios e excesso de pele em áreas como abdômen, braços e glúteos.

Apesar da repercussão, especialistas destacam que as “orelhas de Ozempic” representam uma alteração estética e não indicam, necessariamente, prejuízo à saúde auditiva ou ao funcionamento das orelhas.

Ainda assim, o tema reforça a importância do acompanhamento médico durante tratamentos de emagrecimento.

O aumento do uso de medicamentos GLP-1 mostra que a perda acelerada de peso pode trazer impactos mais amplos na composição corporal.

Por isso, médicos defendem que os pacientes sejam informados não apenas sobre os benefícios metabólicos, mas também sobre possíveis mudanças na elasticidade da pele, no volume de gordura e na aparência geral do corpo.

*Da Agência  Fonte Exclusiva

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