Obesidade cresce no Brasil e acende alerta para prevenção desde a infância

Casos entre adultos aumentaram mais de 118% em menos de duas décadas, segundo dados do Ministério da Saúde.

Obesidade no Brasil cresce rapidamente e especialistas alertam para a importância da prevenção desde a infância, com participação da família, escolas e políticas públicas.

Imagem: Ilustração/ Agência Fonte Exclusiva

O avanço da obesidade no Brasil tem gerado preocupação entre autoridades de saúde e especialistas, principalmente pelo impacto crescente entre crianças e adultos.

No Dia Mundial da Obesidade, dados divulgados pelo Ministério da Saúde apontam que o combate à doença exige ações integradas envolvendo ciência, educação e políticas públicas.

Levantamentos indicam que, entre 2006 e 2024, a proporção de adultos com obesidade no país aumentou 118%. No mesmo período, os casos de Diabetes cresceram ainda mais, com alta de 135%.

Para especialistas, os números reforçam a importância de estratégias de prevenção que comecem ainda nos primeiros anos de vida.

O pediatra e endocrinologista pediátrico Luiz Cláudio, professor da Universidade de Brasília, explica que muitos casos de obesidade têm origem na infância.

Segundo ele, o acompanhamento médico deve ocorrer antes que o excesso de peso se instale, com participação ativa da família, da escola e dos profissionais de saúde.

De acordo com o especialista, incentivar hábitos saudáveis precisa fazer parte da rotina das crianças. Nesse processo, a escola também desempenha papel importante ao promover educação alimentar e discutir estilos de vida saudáveis, conhecimento que muitas vezes é levado pelos alunos para dentro de casa e influencia toda a família.

Outro ponto de atenção é o acompanhamento do crescimento infantil. Quando ocorre um descompasso entre ganho de peso e crescimento em altura, pode haver sinal de alerta.

A análise da curva de crescimento feita pelo pediatra permite identificar precocemente possíveis alterações.

Na maioria dos casos, a obesidade resulta da combinação de fatores ambientais e predisposição genética. O quadro costuma ocorrer juntamente com crescimento acelerado da estatura.

Já situações causadas por distúrbios hormonais são menos frequentes. Segundo o médico, a chamada obesidade endógena representa menos de 5% dos casos, enquanto a maior parte corresponde à obesidade exógena, relacionada principalmente a alimentação inadequada, sedentarismo e fatores genéticos.

Alguns grupos também apresentam maior risco, como crianças que nasceram pequenas para a idade gestacional, condição que pode aumentar a tendência ao ganho de peso ao longo da vida.

Diante da dimensão do problema, o governo federal tem ampliado ações de prevenção. Em fevereiro, o comitê gestor da estratégia nacional de enfrentamento à obesidade reuniu representantes de 15 ministérios para discutir medidas de combate à doença.

O plano prevê cerca de 90 ações e inclui recomendações para que estados e municípios desenvolvam iniciativas locais voltadas à promoção de ambientes alimentares mais saudáveis e ao incentivo de hábitos de vida equilibrados.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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