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Home Saúde
Novembro Roxo destaca a importância do acompanhamento especializado de bebês prematuros após a alta hospitalar e o apoio às famílias.

Imagem: Reprodução/BLH IFF/Fiocruz/Divulgação

Novembro Roxo alerta para a importância do acompanhamento de bebês prematuros após a alta

Campanha destaca que os cuidados com crianças que nascem antes do tempo previsto devem continuar depois da internação, com atenção ao crescimento, à alimentação e ao desenvolvimento.

redacao Por redacao
03/11/2026 - 20:40
em Saúde
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Deixar a UTI neonatal é um passo importante na recuperação de um bebê prematuro, mas a alta hospitalar não significa o fim dos cuidados especiais. Nos meses e anos seguintes, essas crianças podem precisar de avaliações periódicas e acompanhamento de diferentes profissionais de saúde para monitorar o desenvolvimento e identificar possíveis complicações.

Essa é a mensagem central do Novembro Roxo, campanha de conscientização sobre a prematuridade. Em 2026, a mobilização reforça a necessidade de ampliar a assistência oferecida às crianças depois da internação, chamando atenção para uma etapa que também exige atenção das famílias e dos serviços de saúde.

Com o tema “Prematuro: pequeno no tamanho, grande no potencial. Investir no acompanhamento pós-alta é proteger o futuro”, a iniciativa é realizada em colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e organizações ligadas à causa.

A proposta é ampliar a discussão sobre a prematuridade para além dos cuidados necessários nos primeiros dias de vida. O objetivo é destacar a importância de garantir acesso a especialistas, orientações aos responsáveis e atendimento adequado às necessidades de cada criança.

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Assistência não deve terminar com a alta hospitalar

Para Denise Suguitani, diretora executiva da ONG Prematuridade.com, a campanha ajuda a dar visibilidade aos desafios que continuam presentes na rotina das famílias mesmo depois que o bebê deixa o hospital.

Ela observa que, historicamente, a atenção à prematuridade esteve concentrada nos riscos durante a internação e na sobrevivência dos recém-nascidos. Embora essa fase seja decisiva, o cuidado precisa ser mantido após a alta.

Em casa, os bebês podem necessitar de acompanhamento médico, avaliações regulares e orientações sobre alimentação, respiração e desenvolvimento. Os familiares também precisam de informações para reconhecer sinais de alerta e entender como atender às necessidades da criança.

A assistência contínua não significa que todos os problemas serão evitados ou que os bebês terão resultados semelhantes. O acompanhamento permite identificar dificuldades, orientar os responsáveis e indicar intervenções sempre que necessário, considerando as condições individuais de cada paciente.

Mais de 75 mil internações foram registradas em levantamento

Um levantamento realizado com base em dados da DRG Brasil, desenvolvida pelo Grupo IAG Saúde, dimensiona parte dos desafios relacionados aos nascimentos prematuros.

Entre janeiro de 2022 e junho de 2026, foram contabilizadas 75.301 internações associadas à prematuridade. Desse total, 53,7% envolveram a necessidade de cuidados intensivos.

A permanência média no hospital foi de 15,2 dias. Entretanto, o tempo de internação variou conforme a idade gestacional no momento do nascimento. Entre os bebês que nasceram antes de completar 28 semanas, a média chegou a 49,4 dias.

O levantamento também identificou pelo menos 1.789 readmissões hospitalares nos primeiros 30 dias de vida. A icterícia esteve relacionada a 69,4% desses retornos, enquanto problemas alimentares representaram 9,8%. Também foram registradas doenças respiratórias.

Os números reforçam a importância de manter a vigilância sobre a saúde dos recém-nascidos depois da alta, principalmente nos primeiros meses de vida, quando algumas condições podem exigir atendimento especializado.

Monitoramento permite identificar possíveis atrasos

A necessidade de avaliações precoces também foi observada em uma pesquisa conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), publicada em 2024 em uma revista científica.

O trabalho acompanhou 34 crianças prematuras por meio de um programa híbrido de avaliação do desenvolvimento, com monitoramento até os 12 meses de idade corrigida.

Durante o estudo, 18 participantes apresentaram pelo menos um resultado alterado nos testes realizados. Nos casos em que foram identificados sinais de possível atraso, as crianças foram encaminhadas para intervenções precoces.

A pesquisa utilizou a chamada idade corrigida, um parâmetro importante na avaliação de bebês prematuros. O cálculo considera o tempo que faltava para a criança completar 40 semanas de gestação, permitindo analisar o desenvolvimento de maneira mais adequada à idade gestacional em que ocorreu o nascimento.

Pais e responsáveis também precisam de suporte

A chegada em casa costuma representar um momento de alívio para as famílias, mas também pode trazer dúvidas e inseguranças. Depois de um período de internação, os responsáveis passam a assumir uma rotina de cuidados que, em alguns casos, exige atenção constante.

A pediatra e neonatologista Rita Silveira, professora da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), explica que essa preocupação é comum. A alta acontece quando o bebê apresenta condições clínicas para continuar o tratamento fora do hospital, mas isso não significa necessariamente que todas as necessidades de saúde tenham sido superadas.

Como o organismo ainda está em desenvolvimento, crianças prematuras podem apresentar demandas específicas. Por isso, os profissionais precisam acompanhar fatores como ganho de peso, alimentação, função respiratória e desenvolvimento neurológico.

A especialista ressalta que não existe um padrão único de evolução. Cada criança deve ter um planejamento de acompanhamento compatível com suas condições clínicas e necessidades ao longo do crescimento.

História de Alícia revela dificuldades enfrentadas pelas famílias

A experiência de Alícia Vitória, hoje com nove anos, mostra que os cuidados relacionados à prematuridade podem se estender por diferentes fases da infância.

Ela nasceu com 27 semanas de gestação, no interior do Maranhão, e precisou permanecer internada por um período prolongado. Depois da alta, uma alteração identificada no teste do pezinho levantou a suspeita de hiperplasia adrenal congênita, condição que interfere na produção de determinados hormônios pelas glândulas adrenais e pode exigir tratamento contínuo.

A mãe, Patrícia Raquel Dantas Silveira, relatou que não conhecia a doença e tinha poucas informações sobre o diagnóstico. Como não conseguiu obter imediatamente todas as orientações de que precisava pelo hospital, recorreu à internet para buscar esclarecimentos.

A distância dos serviços de saúde também dificultou a rotina. Para levar a filha às consultas, Patrícia precisava percorrer mais de 250 quilômetros.

Nos dois primeiros anos, os atendimentos aconteciam mensalmente e incluíam avaliações clínicas e ajustes na medicação. Com o crescimento da menina, os intervalos entre as consultas foram aumentando.

Além dos cuidados relacionados à suspeita identificada no teste do pezinho, Alícia também passou por avaliações com pediatra e oftalmologista e precisou de acompanhamento específico durante a infância.

Novembro Roxo amplia debate sobre o futuro dos prematuros

A campanha reforça que a assistência aos bebês prematuros precisa continuar depois da saída do hospital. O acesso a profissionais especializados, o monitoramento do desenvolvimento e o apoio às famílias são medidas importantes para identificar necessidades e oferecer os cuidados adequados.

A mobilização também chama atenção para as diferenças entre as trajetórias de cada criança. Nem todos os bebês apresentam as mesmas condições ou evoluem no mesmo ritmo, o que torna indispensável um acompanhamento individualizado.

Ao colocar o período pós-alta no centro da discussão, o Novembro Roxo destaca que investir na saúde dos prematuros significa cuidar não apenas da sobrevivência, mas também das condições necessárias para o desenvolvimento ao longo da vida.

*Da Agência Fonte Exclusiva

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